terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Ismália ou Rapunzel

Acho que poucas palavras são tão precisas quanto gastura.

Sobre planejamento financeiro: você corta daqui, corta dali, se organiza e finalmente, ah, finalmente parece que vai ficar tudo ok e ainda tem uma pequena reserva para alguma coisa fora da planilha. Acontecem muitas coisas fora da planilha ao mesmo tempo. Fim.

A verdade é que eu sou bem covarde pra quase tudo.

Eu sempre dependi da delicadeza de estranhos”. Eu já gostava dessa frase antes dela se tornar avassaladoramente verdadeira na minha vida. Autoprofecia?

Um grande amigo me dizia: você deve ler K. de B. Kucinski e eu, com medo de não alcançar, de não gostar e me provar inferior ao que meu amigo esperava, adiava, relutava, evitava (faço isso, às vezes, se tenho receio de não estar à altura de algum livro, não leio, assim não fico sabendo o quanto sou insuficiente). Não sabia eu que não era uma questão de gostar ou entender, mas sentir. Li K. e li “você vai voltar pra mim” e não foi fácil, não porque houvesse distâncias entre as narrativas e eu, mas justamente porque por vezes me sentia sem fôlego, músculos doloridos, extremamente cansada de sentir a dor – ia dizer alheia, mas não, nada do que é humano etc – e o peso que cada linha e entrelinha desvelavam.

Eu mudo bastante minha imagem de capa, no FB. São sinais de fumaça. Ainda deve ter uma iludida menina de laço de fita, em um balanço, imaginando que alguém vai se importar a ponto de montar o quebra-cabeça. Eu rio dela. E continuo disponibilizando peças.

Eu nunca quis ser rica (ou nem ser rica, ter dinheiros). Agora quero. Não que minha vontade vá fazer diferença.

Eu sinto mais vontade de comer à noite.

Só penso em dormir, devo ficar preocupada?

Um pôr do sol com vento, um livro, bebida gelada, rede na varanda.

O que não cobra em dinheiro, cobra em moeda ainda mais rara.
Como a tira de carne sem sangue. 

Dânae, Ismália, Rapunzel, Bela Adormecida... e quando estamos presas na torre, o que vislumbramos? Um príncipe agarrado aos nossos cabelos, um deus que nos invade feito chuva de ouro, ou o caminho sou eu quem faço, lua no céu, no mar e o salto para o desconhecido? A única alternativa é não ter alternativas?

eu tenho esta curiosidade, de saber como o Cazuza sobrevivia sem um arranhão tenho tantos que uma foto de satélite faria meu corpo parecer um mapa exageradamente sinalizado.

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