quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A noite vai ter lua cheia...


Tem gente que sente a lua no corpo. Eu, nada. Não sinto a lua, não sinto ovulação, não sinto meu corpo mais ou menos qualquer coisa quando tomo ou não tomo pílula. Mas acho bonita, a lua. Todas as fases. Mesmo quando mingua e sua presença é memória. Acho bonita, a lua. Além de me lembrar o moço (ok, não tão moço) de mãos gentis e janela com vista pro mar. 

Era uma vez um bar dentro da Universidade. 

Eu era feliz e sabia. 

Havia uma barba, ela era branca e macia. E cheirosa. E macia, eu já disse? 

Também havia panquecas. E sorrisos. E discos de jazz. 

Eu ainda leio as notícias sobre a expansão do metro de Lisboa com interesse, quem sabe por quê. 

Aliás, entre as muitas coisas que não sei, também desconheço o motivo de olhar pro céu em busca da lua e lembrar de Gagarin (ou talvez saiba a razão, mas fique embaraçada demais pra escrevê-la): "a terra é azul e eu não vejo nenhum deus daqui de cima".

Talvez eu tenha ido longe demais. 

Um pouco mais perto, como um peito largo onde descanso, tem o Vinícius em Iemanjá do Céu

É do livro Para uma menina com uma flor, que você, homem-lua, leu naquela cama grande, as janelas grandes com vista pro mar, o prato de panqueca na cabeceira esperando a fome, o roteiro do programa de jazz em rabiscos, as mãos gentis, e você homem-lua leu, com a voz doce e triste de quem sabia que mesmo sem saber quantos dias seriam, sabia que seriam poucos. Leu com a voz doce e triste de quem compraria passagem. De quem faria convites. De quem partiria sem querer ficar. Sem querer que ninguém ficasse. Em noite de lua eu ainda escuto o eco: porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor... e sorrio, porque agora eu sei o que eu apenas sentia. 

Sim, quando vejo Oliver eu lembro do desejo no seu rosto. E, ainda mais, lembro do susto por se sentir assim. 

Sim, eu gosto muito de uma boa história. 

eu não sinto saudades, eu sinto ternuras. E vontade de comer panquecas vendo o mar me chamar.

amar assim é uma espécie de deslumbramento.






Um comentário:

Juliana disse...

Caral**!

Que texto!

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