terça-feira, 22 de agosto de 2017

Winter is Coming


Eu sei que está todo mundo no fim da série e tal, mas eu sou quem eu sou e sinto saudades do Ned Stark. Ou seja, fui paquerar os começos. E porque eu sinto saudades do Ned? Porque ele empunha pessoalmente a espada quando é preciso punir alguém. Porque ele vai ao bosque sagrado, depois que executa alguém, para refletir - mas aproveita pra limpar e afiar a espada. Porque ele guarda segredos que doem. Porque ele tem um senso de humor discreto. Porque ele destrói uma torre para dar sepulturas decentes ao companheiros de luta e, também, aos inimigos. Porque ele condenou a morte das crianças Targaryen. Porque ele sabe que o inverno vai chegar. 

E a primeira coisa que me chamou a atenção, embora eu ame o Boromir, é como a série tirou a gentileza do personagem (não culpo o ator, lembro bem do que ele é capaz se a direção permite). Ned não é só admirado por ser reto e justo. Ele é amado pelos filhos e servos por ser bom e até afetuoso. A série nem mesmo mostra a alegria que ele sente com a notícia que vai reencontrar seu amigo Robert. Na mesma linha de personagens que perdem pontos na apresentação achei injusto que, pra dar uma garibada desde o começo no personagem do Jon, tenham esmaecido a participação do Robb na descoberta da loba gigante, seus filhotes e tal.

Acho revelador como a Casa Stark ganhou meu coração desde o primeiro momento. Gosto dos demais POVs, gosto demais da escrita do Martin, mas sempre leio com mais atenção e afeto os que vem de lá do Norte. Idem na série, quando a ação se passa em outra locação parece mais sem graça um tiquinho. De resto, sobre o primeiro episódio, amei a primeira aparição do Tyrion, Tio Benjen e de Jorah, claro #Gatos. O primeiro capítulo de Daenerys, no livro, é envolvente. Eu senti o desenraizamento dela e a solidão que a faz amar e temer o irmão. Por outro lado, a primeira aparição de Daeneryzz na série é olhando pro tempo com cara de nada #prenúncio. Isso não me impede de achar que a cena do casamento teve uma vibe erradíssima. 

O primeiro episódio da série é bonito. Aliás essa é uma característica que mesmo nos altos e baixos narrativos não se perde. A presença forte da Muralha. As cores no bosque de Winterfell. A câmera acompanhando os malabarismos de Bran. Os figurinos mais leves e coloridos do sul e a sobriedade no norte. E a abertura? Hipnótica, tudo orna, a música, a historinha de westeros pré-narrativa da série. A pouca profundidade no desenvolvimento de alguns personagens e tramas ainda não apareceram. É envolvente. 

Revisitado o primeiro episódio (e os primeiros capítulos do livro) fiquei com a frase na cabeça: "não te amaria tanto, querida, se não amasse muito mais a honra" (querida Catelyn, querida família, querida propriedade, querida terra). Sigo na releitura, tão bom reencontrar personagens e seus desvios.

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