sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Lord Snow

O bom de reler é que a gente (a gente, sempre eu) vai reencontrando os rastros da origem dos nossos sentimentos. Uma página, outra e de repente a gentileza de Sansa com o Cão de Caça quando ele lhe conta o motivo do rosto destroçado, a forma sutil como ela torceu por ele contra o Regicida. Mais umas linhas e lá está Clegane defendendo o Cavaleiro das Flores e lutado honrosamente contra o irmão, sem nunca atingir sua cabeça descoberta, mesmo que o Montanha não se atenha a regra nenhuma. Se hoje Sansa, Cão, Sam, por exemplo, estão na lista dos meus amores é porque me provocaram ternuras. Eles tem brechas. São vulneráveis. Uma vez eu escrevi a impossibilidade de conhecer do que é feito o amor, já que para empunharmos o bisturi em autópsia e estudarmos sua anatomia, é preciso que ele já esteja morto. Mas não se aplica a este amor que sentimos por personagens, vínculo costurado com linha e entrelinha. Cada vez que volto ao texto e me deparo como uma destas cenas que citei me espanto e me alegro, como se encontrasse uma pedrinha de João e Maria no caminho de casa. Eu aprendo muito sobre mim quando leio – e quando amo o que leio ou quem leio.  

A verdade mais verdadeira é que eu admiro os sagazes, mas gosto mesmo dos honrados. Culpa dos faroestes, talvez.


Sobre o episódio 3, Lord Snow, gosto do diálogo Ned com Jaime (pra vocês verem, não gosto só do que tem no livro), gosto imensamente da forma como Ned parece desajeitado, peixe fora d’água na corte. Rústico demais, verdadeiro demais, objetivo demais. A despedida dele e Catelyn me fez chorar litros. Outro mérito que foi consolidado ao longo da série são os diálogos em dothraki. Já a dica nada sutil de que o Jorah era espião fazendo ele sair correndo logo que sabe que Daenerys estava grávida foi bem primária, né. Também não curti muito a interpretação da Velha Ama contando história, isso já deveria ter dado a dica que a série iria sempre minimizar e subutilizar os aspectos místicos e se utilizar deles só no que tange à aparência. O carão que o Jon leva do mestre de armas foi dado, na série, pelo Tyrion. Entendo que isso seja pra aumentar o tempo de tela da relação dos dois e que Peter Dinklage seja sensacional e deva sempre ser aproveitado, mas acho que a série nunca mostrou o que a Patrulha da Noite contribuiu verdadeiramente para Jon se tornar quem se tornou. Como  a série trata me parece que ele sempre seria, trata como predestinação o que foi caminhada. E a pergunta de agora foi a pergunta de sempre: CADÊ OS LOBOS?

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