domingo, 4 de junho de 2017

Killing Me Softly

Já faz um tempo que vi the killing. Na época, achei ok. Boa. Mas não me lembro de ter causado nenhuma emoção especial. Aí, ontem. Tanta coisa, ontem. Londres e tal. E eu, que busco sentido e refúgio nos romances policiais, resolvi ver se o efeito era parecido com séries e revi um episódio aleatório de The Killing. E tem coisa que fica enterradinha que nem semente, né? Nem sabia que podia recordar tanto. Penso que o mais doloroso desta série é perceber que podemos recorrentemente enfiar o pé na jaca. Nada nos protege da nossa capacidade de errar. Moral da história: se você estiver se sentindo meio mal na vida, sempre pode rever um episódio de the killing e se sentir pior.



Tem aquela crônica maravilhosa do Verissimo do cara que era da geração errada. A primeira depois dos cachinhos em bebês e a última antes de ser absurdo bater em crianças. A última antes da pílula. Coisas assim. Hoje eu rio muito mais deste texto do que nas primeiras vezes que li. De nervoso, provavelmente. Não creio que minha geração tenha algum problema de timing. Mas ando matutando se eu não estou meio fora de ritmo. A sensação de ter chegado antes da festa começar ou ir embora quando ela está realmente ficando boa. Tento acertar a passada, mas é inútil. Fiz antes. Ou ainda não fiz. Quando sentiram as dúvidas eu já havia aprendido a lidar com elas. Suspeito que outras chegarão pra mim quando não for mais questão pra ninguém. Cada vez mais sozinha. E eu podia fazer de conta que não dou a mínima, como quase sempre, mas tem horas que. E mesmo nem sendo tantas, quando são, são sinédoque – que aprendi como metonímia (isto, imagino, seja mesmo uma questão geracional).


No Handmaid’s Tale da semana que passou, a Aia insiste em manter os encontros perigosos com o motorista. A gente pode morrer, ele argumenta. E ela não diz, mas é como se: se morrermos, significa que estávamos vivos...sem os encontros, sem alguém que saiba quem eu, é como não estar. É sendo vista, tocada, desejada que ela deixa de ser Aia e se afirma June. Quando o moço sustenta que não vai continuar encontrando-a, ela replica, com desprezo: Sob os olhos Dele. Um olhar que desintegra. Se você não me vê, desapareceremos sob o absoluto desse olhar que suprime individualidades. 

Sem o Outro, não sou. Dying softly. 

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