segunda-feira, 26 de junho de 2017

Inóspito

A verdade é que é um mundo inóspito.

E essa sanha punitivista me assusta, sempre.

Tenho enrolado bastante nesse negócio de colocar ponto final. Não tenho certeza se tenho medo de lidar com o que vem ou temo abandonar o bom que já se foi. A verdade é que eu devia estar no divã.

Queria muito que o calendário voltasse ao normal. É muito chato começar o semestre já meio cansada.

Quanto mais o Gil envelhece, mais se torna (dos) meu(s).

Eu nem ligo pra roupa, mas queria muito, muito, o guarda-roupa da Edith. Sim, tenho revisto Downton Abbey. Sim, significa.

Três livros em três dias. Futebol. Pizza com amigos. Documentário da Gal. Pão. 

Do que mais gosto é do que não serve pra nada. A gente diz, com riso no olho: “não vale uma cibalena vencida”. Gosto do que existe sem propósito. Ou ainda, do que vivemos sem propósito além do próprio desfrute do que é. Não é para. Para emagrecer, para aprender, para ficar saudável, para empoderar, para seduzir, para ficar em forma, para conquistar, para manter, para acabar. Vive-se e é. Ou está.

Mas você quer que tudo caia no seu colo? Sim.

Luciana, você quer voltar? eu quero é ir. 

Se ela tivesse a coragem. Mas não tenho, Vinícius.



3 comentários:

Niara de Oliveira disse...

é isso. quero existir sem propósito.

Renata Lins disse...

eu também. do que não serve pra nada.

Ricardo C. disse...

Pode até ter propósito, mas que não precise não.

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