quarta-feira, 28 de junho de 2017

Arthur, Menudo e Outras Felicidades

E tem aquele momento que é feliz. Não como memória ou saudade. Aquele que se sabe na hora em que os corpos se encaixam. Que o mar amorna o pé. Que o frio escorre na língua. Que o vento brinca na pele. Que a noite se faz dia. Que o último garçom, sonolento, puxa a porta de ferro que desliza ruidosamente. Que a cabecinha cheirosa da criança repousa no ombro. Que a chaleira ferve. Que o querido dedilha o instrumento. Que o outro grupo, na rua vazia, ri alto de algo que você nunca vai saber. Que a chapa cheira a manteiga. Que as jangadas chegam. Que soa o triângulo. Ou a cuíca. Que se puxa o baralho. Que cheira a mormaço. Que ligam as turbinas. Que o time faz um gol. Que se arrasta o pé. Que se fecha o livro. Ou abre. Que a gente nem se importa de ser feliz. E está.




Quando vocês estão vindo com a cana eu já tô voltando com a rapadura. Parece prepotente, é só solitário.

Às vezes não. Limão no feijão, por exemplo, eu nem, ainda.

Porque quando a gente tá sem dinheiro e com preguiça sente mais fome? 

Então está “todo mundo” vendo ou lendo O Conto de Aia. E eu me sinto antiga, antiga. Faz tempo que Offred e sua claustrofóbica memória chegou por aqui. E ficou. Antes do feminismo, das questões, das amigas, dos receios. É pelo antes, não pelo tempo, que eu me sinto tão antiga.

Tem umas coisas que a gente aprende mas não consegue ensinar. Ou não servem pros outros, que triste. Tento dizer para o querido insone que ele precisa de uns romances policiais pra atravessar essas noites (sim, romances policiais são multifuncionais). Começo, meio, fim. Acalma a mente. Acalenta os medos. Conforta. Repousa. Mas ele nem. 

Eu sou tão besta. Eu escolhia o "meu" Menudo. E tenho preferência por versões. Por exemplo: Arthur. Uma lenda, pois claro. Narrativas. Mas tem a minha, a "certa". Que é a história do Cornwell, mas com a Morgana da MZB. Daí eu vejo tudo "comparando" com isso. Não que eu não aproveite as outras. Olha, tão engraçadinha esta estorinha que inventaram para falar da galera do Arthur

Sim, eu tenho essas aspirações iluministas.

E fico um pouco embaraçada de olhar por fechaduras, mesmo convidada.

Eu gosto de gente. Eu li um bocado de psicanálise. Às vezes é difícil conciliar as duas coisas (mas às vezes uma sustenta a outra, vai entender)

Um comentário:

Renata Lins disse...

Conto da Aia: nem, tu não viu? O Downton é em vez de. Aia por aia, fico com a galera de lá. Com a Anna olhando tão lindo pro Bates. Com Mrs Hughes que nem sabia que já amava Carson. Com Daisy e Mrs Patmore...
corri pro abraço do aconchego. Distopia? Tô vivendo. Quero mais não.
Beijo!

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