sábado, 27 de maio de 2017

Prioridades

Eu deveria juntar dinheiro para:
Uma coberta no quintal
O escritório
Um tapete
Vasos, plantas, dar um trato no jardim da frente
Box nos banheiros
Aliás, dar um trato geral nos banheiros
Ventiladores
Uma horta
Um óculos
Um tratamento caro pra rosácea
Uma máquina de lavar louça
Colocar moldura nos quadros
Pagar as dívidas antigas
Pagar as contas de todo mês
Um filtro

Eu só penso em: viajar.

***********
Daí teve a matéria sobre a escola que faz tudo, etc. E o que ficou pra mim foi uma suposta dicotomia entre tempo de qualidade X fazer coisas cotidianas como cozinhar, cortar a unha, ir ao supermercado. Eu não vejo dicotomia entre as duas coisas, pra mim a qualidade do tempo não está no que se faz, mas no como. E ainda acho que coisas como cuidados pessoais e alimentação são dos “o quês” mais relevantes em termos de conteúdo também. Poucos momentos me davam mais alegria que cortar as unhas do meu lobisomem de estimação ou cozinhar linguiça com batata pra nós enquanto ele desenhava na mesa da cozinha. 

E não, eu não acho que as mães tem que fazer coisas. Nem que mulheres tem que fazer coisas. Eu suspeito que pessoas que fazem coisas básicas do viver constroem vínculos. Eu acho que relações são construídas. Inclusive com crianças. Os laços não estão dados. Também acho que estas crianças serão adultos que precisarão cuidar de si mesmas. Enfim.

Penso que há uma diferença enorme entre coletivização do cuidado e mercantilização do mesmo. Então eu sim: creches públicas. Eu não: professores sendo babás.

Com certeza o mundo é feito de gente muito mais interessante que eu. Nem consigo imaginar porque alguém, filho ou não, de qualquer idade iria queria passar muito tempo - de qualidade ou não - comigo. 

Falando em tempo, ficar junto, máquina fotográfica, etc. eu fico pensando que, apesar de não ser muito de "e se", tem muita coisa não acontecida que podia ser feliz. 

*********

Uma certeza sobre mim: eu nunca serei namastê-natureza. Uma das coisas que eu mais gosto na humanidade é que a gente transforma o mundo. Enfia o pé na jaca muitas vezes, mas que bonito que o Davi é. 

Eu sempre fui meio empurrando a vida com a barriga #ZecaBaleiroFeelings. Nunca suspeitei que havia um jeito certo. Um modelo. Uma pauta para ser, o que quer que fosse, a não ser do meu próprio jeito. Hoje, 40 e tantos nos couros, fico contente de ter sido assim. Deve ser difícil viver achando que se devia fazer mais. Ser mais. Ser melhor. 

E sobre o quadrinho circulante só posso dizer: Almir, melhor em tudo. 

Um comentário:

Isa disse...

sou apaixonada por essa estátua de David, é lindo. Ainda acho que havia de saber viver, tenho a certeza que não sei viver neste mundo, mas não sei fazê-lo de outro jeito. Adoraria ser como as pessoas normais, deve dar menos dor de cabeça, mas não sou e adoro ser diferente, apesar de dar imenso trabalho.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...