quarta-feira, 31 de maio de 2017

Espia

Ontem tinhas umas amigas falando de arrependimento. E, olha, eu até posso me arrepender. Mas eu não lembro do quê. Não é que eu não tenha feito besteiras na vida. Fiz um bocado. Mas eu olho pra trás e vejo que as decisões, os rumos que tomei, as coisas que disse e fiz, foi o que era possível, na conjuntura, sendo eu quem eu era e não quem eu sou.


Ela abriu os olhos, ele abriu os braços, ela abriu as pernas, ele abriu o peito, eles abriram caminhos e no descampado que se formou acenderam fogueira, jogaram sementes, ali acamparam e alguém batizou: amor.

Completamente obsoleta: iluminismo, psicanálise, teoria crítica, materialismo dialético, gente, correios, Frank Capra. 

Tenho tentado ver um filme por dia. Tenho tido sucesso na empreitada mas ficando abalada com as escolhas. Tenho investido em gêneros “leves”: heróis, faroestes, espiões. Nostálgica, tentando reencontrar os valores: coragem, autosacrifício, empatia. Não sei se rio ou se choro. Os heróis, espiões e mocinhos de maneira geral continuam empenhados em salvar o mundo. Mas, para isso, não tem problema atropelar todo mundo que passa pela frente. Um mundo salvo. Sem pessoas, mas quem se importa com estes descartáveis né? 

Uma coisa que eu tenho dificuldade, assumo, é este lance de triggered #MeJulguem. 

Por outro lado, 2017 e estamos preocupadas com o peso, falando do cabelo e fazendo o trabalho doméstico. 

Status: adoecida com a situação da enchente em lugares do Nordeste.

Um comentário:

Anônimo disse...

2017 sou eu então .... Aiiii que horrô!

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