segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Inverno

Eu sei que o clima influencia o humor. Mas será que impregna? Mesmo quando a gente não está lá, o ritmo das estações podem amofinar os afetos? Na dúvida, vou procurar minha amiga, fogueira em forma de riso. Esquentar as mãos, assar marshmallows metafóricos e ver se a geleira no peito se desfaz em suor.

Eu só queria lembrar o riso. Queria desejar mais uma noite. Queria fazer planos e vê-los fazer brilhar nos seus olhos. Queria ser em permanências. Ser um ainda. Ser dos que ficam. Dos que sabem deixar as raízes se espalharem, vigorosas, na terra fecunda e humífera. Ser dos que sabem os percursos subterrâneos do pra sempre. Ou nem tanto, só mais um pouco. O suficiente. O bastante. Dizer sim. Queria ser boa. Ser boa pra você. Acreditar que é possível ser bom pra alguém. Acreditar em qualquer coisa pessoal e íntima. Ignorar o relógio, o calendário, os mapas e aquele grilo que fala ao meu ouvido a certeza do adeus. 

O problema é a beleza da Antartida. Imensidões brancas na alma, o vermelho de um céu que não se apaga e o silêncio tão absoluto que se faz narrativa. A beleza - ou será o reflexo do sol no branco das geleiras?- me cega. Não há primavera pra esse território que batizei amor.





Um comentário:

Jaynne Santos disse...

Tem dias que a geleiro no coração é tão grande que só mesmo um amontoado de palavras-fogueiras para aliviar!
Lindo texto e escrita maravilhosa, parabéns.
Ótima semana!


jaynnesantos.blogspot.com.br

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