sábado, 26 de novembro de 2016

Gilmore Girls

Era para ser um comentário no texto da Verônica, o wordpress não acolheu, virou post aqui.


Muita coisa a dizer sobre o ciclo da Emily. Amei, me emocionei, me enterneci, aprendi, tudo. A coerência e densidade do personagem. A vulnerabilidade. A reconstrução. A compreensão de que o novo é que nem a música do instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro. O luto que pode ser possibilidade. O luto que é reinvenção e, ao mesmo tempo, reconhecimento do que fica entranhado. Eu já gostava da personagem e esses episódios deram novas dimensões a esse apreço. 

Por outro lado, eu que já não gostava da Rory peguei abuso total. Acho Lorelai fodona por ter bancado e criado a filha sozinha. Mas a ausência de terceiros significativos (seja o pai, a família, namorados - a regra dos namoradas era horrível) comprometeu a relação de maneira assustadora. Rory é uma esponja. Lorelai não consegue dizer não, não consegue ser senão um trampolim constante. O lance do livro foi das coisas mais cruéis que vi. Eu preciso disso, foda-se você. E a única forma de seguir que Lorelai encontra é continuar dizendo sim. Rory suga tudo, de todos. Só sabe receber. Que relação escrota com o Logan e o Paul. Não é o fato de ter dois (apoio toda biscatagi) mas a forma como se coloca nos relacionamentos: eu só quero o que eu quero, mas vocês tem que estar dispostos a me dar tudo. Que relação escrota com as amigas. Lane foi irrelevante. Paris foi maravilhosa porque o personagem e a atriz são maravilhosos (acho que ela voltou super confortável na versão adulta, coisa que nem todos souberam fazer), mas Rory não troca na relação. Até o lance cuidar dos filhos é uma coisa circunstancial. Li várias pessoas dizendo que ela mudou. Eu acho a mesma da primeira temporada, um ralo aberto de atenção. Lane tentando falar do seu sentimento por um moço e Rory não conseguia tirar o olho do próprio umbigo. Pra mim, o umbigo só cresceu. Star Hollow e Lorealai são uma imensa placenta que Rory não larga. De forma distanciada, achei legal a Rory ser a pura representação do que Sennet ilustrou n'A Corrosão do Caráter.

Flashes: Odiei a gordofobia. Odiei. Cada piada gordofóbica doeu. E foram várias. Amei a cena da colina. As lágrimas de Lorelai, o sorriso da Emily, tudo aquilo fez sentido pra mim. Faz parte do luto reconstruir a nossa relação com o que perdemos. Achei ruim o diálogo da Rory com o Chris, fez o personagem voltar dezoito casas. Entendo que era escada pra cena final, mas mesmo assim acho triste que tenham voltado a caricaturizar a relação dele com a filha. Podiam ter avançado, né. Gostei demais do Taylor e Kirk, parada gay, musical, etc. Aliás os personagens secundários garantiram grande parte do charme do revival.

Não curti muito Outono acabar com o casamento, parece que ele é um fim e não uma parte do processo (embora no texto Lorelai tenha sinalizado isso). Gostei da declaração do Luke, o amor tem isso da gente acompanhar, às vezes. Eu nem era muito fã do personagem, mas estes 4 episódios colocaram-no em outro patamar pra mim. Amar é, também, escolha. Como, aliás, apontou Michel, amor eterno, amor verdadeiro. A cena do bar clandestino deu morninho no peito. O lance com as crianças. Sei que a atriz que faz a Sookie não teve agenda pra gravar mas isso acentuou a falta que senti de amizades femininas consistentes. Também não curti terem caricaturado a terapeuta. Mas gostei do musical, especialmente o descompasso da Lorelai em relação à cidade. Acho que foi um indicativo legal de que não tem resposta certa. Não é a família, não é a cidade, não é o casamento, não deveria ser a filha. Somos em solidão e brechas. Nas brechas, a possibilidade de afeto.

Uma coisa que eu tenho percebido é a diferença de reações na TL ao revival. E tenho percebido que o lance de idade conta um bocado, especialmente no olhar sobre a Rory.

De maneira geral, como escrevi por aí, ver a série foi como encontrar uma pessoa muito querida, sei lá, num café no aeroporto, muito carinho, muita saudade, nem dá tempo direito saber se gosto daquela "pessoa" que ela se tornou por ainda estar curtindo a pessoa que ela era em mim, pra mim. Vontade de ficar sabendo de tudo e, ao mesmo tempo, vontade de apenas apreciar a companhia querida.

PS. Esqueci de dizer, não sou ligada em roupa, mas a roupitcha da Paris para ir à escola ganhou meu coração.

2 comentários:

Juliana disse...

Eu preciso decantar esses episódios. Sou muito emocional e a série tem muito significado pra mim.

Meus comentários são só gritinhos de fã.

De tudo, gostei muito do texto, do roteiro. É uma história muito boa, tão boa que a gente tá na internet toda discutindo o caráter dessas pessoas.

Marissa Rangel-Biddle disse...

A gordofobia! De chorar, viu?

Eu até entendo em Verão elas chocadas com os trajes de banho de alguns. Americanos não usam sungas --- Ever --- ver Chandler e o Speedo em Friends, porém dava pra adicionar a parte do choque cultural ( usar biquínão e bermuda etc) sem apelar pra gordofobia.

A Melissa McCarthy foi bandidagem. Fazer isso com uma atriz. Não deu liga --- não deu liga. Não deu tempo de dar. Péssimo.

Eu olho muito roupas --- os terninhos Chanel de Emily. No revival ela desatrelou um pouco -- ou tudo! --- da roupa que é marca dela. Fez um strip ( saiu do Chanel , colocou jeans, e voltou ao equilíbrio --- nem 8, nem 80).

Devia ter tido mais Kirk, Lane e Taylor.

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