terça-feira, 1 de novembro de 2016

Do Trabalho ou Em Queda Livre

Eu gostaria de me sentir capaz de fazer textos de blog e status de FB sobre as coisas que estudo, como vejo tanta de gente desinibidamente fazendo. Pra mim ainda é tudo ou nada. Muito raramente escrevo sobre psicanálise e mais raramente ainda sobre reestruturação produtiva e subjetividade. Eu começo, mas emperro. Porque vai ficando muito longo, os conceitos são demasiado ambíguos sem a referência e com a referência fica pedante. Desisto. Aí vejo as pessoas conversando superficialmente sobre estes mesmos temas e reviro os olhinhos – também pra mim mesma, porque eu poderia contribuir se não tivesse tantos pudores (medos?).



Tenho tido um pesadelo recorrente: vou pra defesa e não entendo lhufas que os membros do júri argúem por causa do sotaque e fico perdida porque não consigo responder nada e o júri me joga pela janela e aí aparece o Verissimo (não exatamente ele, como se fosse uma caricatura desenhada) e diz: “isso, meus amigos, é defenestrar, está meio fora de uso, mas ainda pode acontecer em casos extremos”. E a sensação é que fico caindo, caindo, caindo. Hoje acordei e pensei na piadinha do “até aqui, tudo bem” mas não pareceu tão engraçada. Nem preciso do analista pra fazer a peneira no sonho e tirar o sotaque da jogada (que aqui atua apontando, acho, a diferença cultural mesmo que os ritos sejam aparentemente semelhantes. Apesar de ter ficado lá algum tempo, ainda há muito que não decodifico). Mas o principal, acho é a sensação de não ser suficiente. Não costumo me sentir uma fraude, como vejo muitas pessoas falando. Sinto que sou capaz no que me propus, dou boa aulas, palnejo, me preparo, sou atenta ao método, sou boa pesquisadora qualitativa, sei fazer boas questões de pesquisa, sei preparar um bom roteiro, sou boa na interação da entrevista. Mas. Aquele desconforto de saber que há tanto que não sei. De que não basta.E, mesmo o que sei, se não souber articular? Se esquecer o nome dos autores? Cara, eu não decoro a data de aniversário dos sobrinhos que eu amo tanto, imagina aí nomes e anos de publicação de livros. E se desde que terminei de escrever até a data da defesa alguma teoria tiver surgido, alguma pesquisa relevante tiver sido feita? Se os membros da banca estiverem esperando outra abordagem? Se eles não curtirem pesquisa quali? Se, se, se, se. Nem sei se o pesadelo maior é mesmo dormindo. Ou, claro, pode ser tudo pelo vocabulário: júri, inquérito, provas com o qual não sei lidar sem nervosismo ou zoeira. Meu único consolo, pensando nesses sonhos, é lembrar da fala do Veríssimo e sentir que alguma coisa em mim ainda vai saber rir. Acho. Até aqui, tudo bem. 


3 comentários:

Renata Lins disse...

eu sou aquela pessoa que tem o sonho recorrente de estar numa prova da qual não sabe nada. ou matriculada num curso, tendo aula de algo de que não entende nada. e o medo. o medo do "vão me descobrir".
eu acordada até nem acho, mas meu inconsciente acha mesmo que eu sou uma fraude.

Rita disse...

Gente, eu queria ter esses pesadelos elaborados de vocês. No mais, Lu, amore, quem não curte pesquisa quali bom sujeito não é, fala que eu mandei esse recado. :-*

:-)

Marissa Rangel-Biddle disse...

Pesquisa Quali rulles!!!!

Eu deveria ter feito Estatistica my bitch na faculdade, soh assim nao teria sonhos recorrentes na qual eu nao recebo meu diploma, pois nao passei em Estatistica.

Beijos, Borbs!

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