sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Máscara de Oxigênio

Todas as vezes que eu escrevo, eu minto. Mesmo quando falo de uma coisa que sim, aconteceu. Mesmo quando falo do que estou sentindo, do que vivi ou do que pensei. Eu poderia justificar que a linguagem é cobertor curto. Por entre as letras escapa o verdadeiro e fica o possível. Casa de espelhos. Aproximações. Mas nem é isso. Todas as vezes que eu escrevo eu minto porque, quando escrevo, eu escolho a palavra, a frase, o dito que, acho, cabem melhor, soam melhor, não as que mais se aproximam da verdade ou realidade. Escolho e escrevo as que mais se aproximam da beleza. Ou do acinte. Do horror que é o que há por detrás do belo e do bom, como aprendi com um autor que esse sim, sabia fazer, da verdade, beleza. Ou da beleza, verdade? Há pessoas que escrevem e fazem o belo. Elas podem se dar o luxo da honestidade. Eu anseio pelo belo, escrevo porque é preciso e a sobrevivência não permite condescendências.

Duas coisas que não faço: ouvir música, me apaixonar.

Tem dias que a gente só atravessa com o Paulinho da Viola. 

Eu sempre gostei da idéia de envelhecer. E tenho gostado do processo propriamente dito. Mas ninguém me avisou quantas saudades iam aparecer pra eu sentir. 

A gente está ali, vivendo a vida que tem pra viver, rindo o riso que tem pra sorrir, chorando a dor que tem pra doer, dormindo o sono que tem pra dormir quando cai um quadro bem no nariz.


Passou uma tirinha na minha TL que eu devia ter salvo pra postar aqui. Sobre pessoas que se distraem facilmente. Eu estou triste. Eu ando muito, muito triste. Das saudades, das impossibilidades, dos contextos e cenários. Triste. Mas acontece que estou aqui, na tristeza e passa um casamento na praia, uma viagem pro sertão, um café com amigos, uma aula bem curtida, uma churrasqueira elétrica com vinho verde e pronto, quando vejo estou alegre sem nem perceber. Entre uma alegria e outra, me mantenho a base de aparelhos, ou seja, séries policiais e livros da Agatha Christie.

2 comentários:

Cláudio Luiz disse...

Pessoa, Fernando - o poeta é um fingidor. finge...
Azevedo, Fal - colocou no papel? é ficção.
Ou quase isso, pois estou citando de cabeça.

Esteffane Pereira disse...

Tão bom se sentir contemplada e paff... alegre mais uma vez!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...