quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Fim de Papo

Terminar um semestre é uma onda de sensações controversas. Acho que foi bom. Acho que não ensinei nada. Fiz alguma diferença. Fiz nada. Acho que podia ter sido mais rigorosa. Não, mais flexível. Acho que devia ter focado mais no conteúdo X. Ou Y. Ou nem, em debates e conversas. Podia ter passado um filme naquela disciplina. Não devia ter visto filme naquela outra. Devia me atualizar em relação aos filmes. Ou músicas. Ler mais. Devia me cobrar menos. Podia dar tempo pra eles lerem. Pensar que eles não tem tempo pra ler. Mas no meu tempo a gente lia muito. Quando eu me formei eles não tinham nem nascido. Acho que não ensinei nada. Mas aprendi qualquer coisa. Que ainda não sei o que é.

A gente acredita que não gosta de sofrer. Repete por aí, toda faceira. Mas não sai da lista de emails daquele teatro - distante um mar, mais estradas e uma língua - nem deleta aquela pasta de conversas que parecem esparadrapo mantido tempo demais no curativo.

Ando lendo uma porção de romances policiais.


O bom do dia de hoje é que a próxima reunião de condomínio nem vai parecer tão assustadora.

As pessoas, mesmo as pessoas sabidas, insistem em discutir no varejo questões que só tem relevância no atacado.

Fico aqui só observando os argumentos. E me espantando.

Eu evito chamar de treta os debates nos quais me envolvo. Discuto alguns temas porque me parece vital falar sobre eles, porque são, acho, assuntos constituintes do tipo de sociedade que pretendo construir ou repunar. Não por algum amor especial pelo dissenso. Então, não, eu não poderia estar fazendo coisa melhor.
(talvez sexo)

Hoje o STF deu aquela mãozinha em direção ao abismo, ignorando a CF88 e engessando o direito de greve do servidor público. Não está sendo fáceo, Kátia.

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