segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Demarcando

Eu sou antiga. Tão antiga que ainda acredito em direita e esquerda. Tão antiga que acho que pessoas de direita e de esquerda podem ser liberais em costumes ou conservadores. Tão antiga que sim, não tenho certeza se a esquerda precisa ou não se reinventar mas tenho absoluta convicção que ela existe na tentativa de mudar o mundo. E mais antiga ainda porque não acredito que as pessoas que vivem bem nesse mundo tal como ele está vão lidar tranquilos com a existência de quem quer transformar a realidade.

Sou de esquerda, antiga. Daquelas que sim, acha que há uma diferença ética brutal entre quem se preocupa com coisas como propriedade dos meios de produção e quem acha que o trabalho dignifica o homem e a meritocracia vai deixar a sociedade como ela deve ser. Provavelmente eu levo pro lado pessoal. Eu conheço as pessoas que ficam com fome, que vivem inseguras, que não tem acesso à educação, que morrem com doenças facilmente controláveis por falta de acesso aos cuidados e medicamentos, pra ficar no começo da história, quando a meritocracia e interesses afins são o portal de quem comanda as políticas públicas. Não porque essas pessoas não trabalhem, não se esforcem, não tenham seus méritos, mas porque há uma história – convenientemente ignorada e escamoteada - pra carregar nas costas que os impede de chegar no lugar de onde outros já partem.


Sou antiga e acredito que política não se faz apenas nos processos eleitorais e nas campanhas, pelo contrário, acredito que campanha é um espaço/tempo problemático porque, apesar de ser o momento de marcar posição é o momento antecedente à flexibilização já que penso que, caso eleito, se deve governar (principalmente o Executivo) para a galera toda, inclusive para quem não votou, quem não converge, quem tem interesses diferentes, etc. Sou antiga, acredito que a democracia é uma bomba mas acredito também que é o melhor sistema possível. 

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