sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pudores

Quando eu era menina/adolescente e ia sair de casa minha mãe sempre perguntava se eu estava usando peças íntimas apropriadas. Apropriadas pra quê? Pro caso de eu sofrer um acidente, chegar no hospital e os enfermeiros e médicos não se depararem com uma calcinha foló ou algo assim. Óbvio, né? Um dia desses a Fal escreveu sobre ir arrumadinha fazer recado na esquina, vai que se encontra o grande amor? Mais fácil ele lhe reconhecer “se você estiver de de camisa de florzinha e brinco bonito”. Só uma pessoa mutcho louca feito eu liga essas duas coisas, eu sei, e fica pensando se o amor da vida é um motorista distraído ou um enfermeiro atencioso. Brinks. Na verdade fiquei pensando que o amor é um acidente grave e inesperado para o qual devemos estar preparados e eu nunca estou. Estou sempre de calcinha de algodão furada.

Eu não costumo brigar. Não é porque sou legal. É que tenho muita dificuldade de voltar atrás.

Faz tanto tempo que estou indo embora que nem saberia ficar. Que não sei. Me desculpe - escrevo aqui, não digo lá e sei que é dar mais uns passos. 



Eu tinha desistido de ver The Affair mas a vida me deu uns solavancos tão intensos que voltei por motivos de: Pacey. Não me arrependi, especialmente porque na 2a temporada tem muito mais Pacey#AleluiaIrmãos. Gosto muito do personagem dele. Dá vontade de construir uma vida inteira junto e, olha, é bem raro eu sentir qualquer coisa vagamente parecida. É que ele tem uma coisa confortável e segura. Claro que é seguro pensar isso sobre alguém que não existe. Aproveito muito filmes, séries, livros para sentir coisas que não sinto na “vida real”. Por exemplo, todo mundo sabe o que acho de casamento, infidelidades, monogamias e eteceteras no mundo real. Mas estou aqui, com Maura Tierney como personagem preferida, exercitando todo meu TFP. 



Tem uma conversa entre amigas, eu penso em contar uma coisa minha, pra dar exemplo. Paro, recuo, desisto. Passa um status de conhecido com uma pergunta banal. Penso em responder, porque não? Paro, recuo, desisto. Dói um sentir que, bem sei, se escrevesse sobre amainava tempestades. Paro, recuo, desisto. Quando estou quase acreditando que sou uma pessoa, sei lá, discreta, recordo que posto aqui meus dicumê tudo, passeio de fim de semana, medo primordial, contas a pagar e gargalho – publiquei isso no FB e algumas pessoas comentaram relacionando a um clima tenso na rede social que acaba produzindo atitudes reservadas e menos interação. E é uma postura válida – e eu cultivo – mas nem era nisso que estava pensando. É que eu tenho pudores insuspeitos. 
Eu acredito na alegria. Ela é que não tem acreditado em mim.

4 comentários:

Isa disse...

a minha mãe também chegava a esse ponto, e falava em tomar banho e fazer a cama, vai que um enfermeiro ou um médico tem de entrar em casa e nos apanha com as calças na mão, como dizemos aqui :) eu penso em acidentes, mas em relação aos outros, a mim também nunca penso, nunca... Nem em encontrar o amor da vida no meio da rua... E nos lugares em que penso encontrá-lo, não acontece, daí que olha... Pelo sim pelo não, vou renovar o estoque de calcinha :)

Unknown disse...

hahahahaha tbém tenho pessoas que andam de calcinha nova pra uma emergência trágica (engraçado que nunca ouvi ninguém dizer que tá de calcinha nova pq pode aparecer uma transa no shopping, é só pra tragédia) e amigas que iam abrir o portão emperiquitadas (uma delas, inclusive, casou com um bosta). eu só posso pensar que um amor que me encontrasse bem vestida não ia durar. eu tenho moletom no meu dna. e crocs.

e uma amiga namorou o ortopedista que atendeu ela no pronto socorro. ela quebrou um pé e depois se quebrou toda pq ele tbém era um bosta.
bjbj
Terla

Fal disse...

<3 delícia, flor. as usual.

Verônica disse...

Sempre penso nesse lance de roupa limpa para sair, principalmente calcinha e sutiã, porque nunca se sabe o que pode acontecer. Lembro-me de uma entrevista com a Xuxa e ela dizia que nunca tinha pintado as unhas dos pés de vermelho, porque achava esquisito e tal, e justo nesse dia, ela quebrou o pé.
Parei com The Affair e nem me lembrava mais da série. Voltarei a ela em algum momento.
Beijo, flor.

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