terça-feira, 13 de setembro de 2016

Garrafinhas (Para) Olímpicas 15: E o tal Legado?

Está tendo pódio todo dia. E cada conquista mais empolgante que a outra. Nem sei o que foi mais incrível, a vigésima medalha do Daniel Dias (de ouro e tudo), a alegria do revezamento no atletismo ou a conquista de mais um ouro na bocha.

E o tal legado, para além das medalhas? (eu fico bem contente de ver jovens de 16 anos competindo no salto em altura, de ver o moço de 19 anos quebrando recorde mundial, mas vamos lá, legado). Eu tenho 03 coisas em mente:

A primeira é umbigal e envolve a desconstrução dos preconceitos mais sutis em mim. Por exemplo, o comentarista cego. Eu nunca pensei sobre. Nem como. Mas tem e é eficientíssimo. E descobrir como funciona foi sensacional. Pra mim. Que nunca tinha pensado nisso. Então ver, entender os processos é, acho, bem importante pra gente parar de subestimar. Informação, quero, preciso.

A segunda é a aceitação e relacionamento prazeroso com o próprio corpo. Como o menino da Grã-Bretanha chamado Rio que é fã do Alan Fonteles, tem uma prótese estilosa e corre, nada, joga futebol e quer ser atleta. Ele que tem 3 próteses por ano e curte cada uma e super ama seu corpo e manga do pai que tem a mesma perna ano após ano. Isso é incrível e não, não estou falando da pessoa “aceitar a deficiência”. Temos corpos diferentes. Com possibilidades diferentes. E com os quais temos relacionamentos complexos. Dia após dia esses corpos são narrados como insuficientes. Como errados. Uns mais abjetos que outros, mas, de maneira geral, somos ensinados a prestar atenção no que o corpo tem de “menos”. O que os Jogos Paraolímpicos podem ajudar a perceber é que reconhecer os limites, as potencialidades e, principalmente, a beleza  e potência de cada corpo pode ser um portal incrível pra uma vida com mais prazer.

E, por fim, a beleza da vida em comunidade. Da interação. Da aceitação, tranquila, que somos seres co-dependentes. Cada atleta paraolímpico (assim como os Olímpicos e tal, mas aqui isso aparecemais nas narrativas) tem, ao seu redor e colaborando no seu desempenho, uma teia. Uma rede. Conexões. Além do apoio familiar os técnicos pessoais, os técnicos da equipe, a comissao técnica, os enfermeiros, cuidadores pessoais, os guias, etc. A entrevista com a nadadora brasileira medalha de prata e parte da equipe evidenciou muito isso. Não é demérito precisar. Não é demérito aceitar ajuda. E não é via de mão única. A enfermeira que está na terceira paraolimpíada nos diz isso. Dos ganhos que também tem, que incluem a satisfação de um trabalho bem realizado.

Eu acho lindo gente. Gente que se dá. Gente que se ama. Gente que sefaz gente com outras gentes. Os jogos paraolímpicos me dão isso tudo. E não só pra mim, ouvi dizer que a meninada na casa das amigas anda na mesma toada e isso me dá um quentinho no peito.




Pois bem, a programação (imensa e deliciosa) de hoje:

9hs – Futebol de 5
9hs - Esgrima
09h30 – Natação
Eliminatórias dos 400m livre masculino S6 (Talisson)
Eliminatórias dos 400m livre feminino S6
Eliminatórias dos 200m medley masculino SM7
Eliminatórias dos 200m medley feminino SM7 (Verônica)
Eliminatórias dos 100m livre masculino S10 (André Brasil e Phelipe)
Eliminatórias dos 100m livre feminino S10 (mariana)
Eliminatórias dos 100m peito masculino SB11
Eliminatórias dos 100m peito feminino SB11
Eliminatórias dos 100m peito masculino SB12
Eliminatórias dos 100m peito masculino S8
Eliminatórias dos 100m peito feminino S8
Eliminatórias dos 50m livre masculino S9 (Ruilter e Vanilton)
Eliminatórias dos 50m livre feminino S9 (Camille)
Eliminatórias dos 50m livre masculino S3
Eliminatórias dos 200m livre masculino S4

09h45 – Tiro com arco
10h – vôlei sentado
10h – Bocha individual
10h– Atletismo
Primeira fase dos 400m rasos feminino, T47
Final do lançamento de lançamento masculino, F32
Final dos 400m rasos feminino, T37
Final dos 400m rasos masculino, T52
Final dos 100m rasos masculino, T51
Final dos 100m rasos masculino, T38:
Final dos 200m rasos feminino, T36
Final do salto em distância masculino, T37
Final dos 1500m rasos masculino, T20
Final do lançamento de dardo feminino, F46
Primeira fase do revezamento 4x100m feminino, T11-13
Final do revezamento 4x100m masculino, T11-13
Primeira fase dos 400m rasos feminino, T38
Primeira fase dos 400m rasos feminino, T34
Primeira fase dos 100m rasos feminino, T35

10h15 – GoalBall masculino
11h15- Bocha individual (cearense)
11h15 – Bocha individual (evelyn)
11h30 – Goalball feminino
12h30 – Bocha individual
13h – Halterofilismo
13h30 – Bocha individual
16h – Halterofilismo
16h – Bocha individual
16h45 – Tênis de mesa (disputa do bronze)
17h30 – Finais da natação
17h30 – Finais do atletismo
18h15- Bocha individual
18h45 – Tênis de mesa (disputa de bronze)
19h30 – Bocha individual
20h30 – voleibol sentado masculino
21h – basquete masculino

Um comentário:

Maria Angélica disse...

Que primor de texto. <3
Muito se discutiu o legado das olimpíadas aqui no Rio, e com razão. Mas essa dimensão realmente ficou de fora. E tá sendo lindo de ver. O Bento, por exemplo, não é ligado em esportes, não curte muito futebol e aí agora descobriu que existe bocha, jogou e adorou. Olha quantos horizontes. Só um exemplo bobo. Mas tudo que tenho visto desses jogos, os comentários na platéia incluídos, me deixam muito feliz. Bem, você já disse tudo, traduziu muito bem. Obrigada. <3

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