quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Garrafinhas (Para) Olímpicas 11: Pulsando

Ontem teve a abertura das Paraolimpíadas (não consigo escrever sem o “O”) e foi muito, muito linda. Teve de tudo e tudo foi tocante de uma forma específica. Teve o talento do maestro João Carlos Martins que tocou o hino nacional no piano. Teve a alegria do samba de roda. A técnica feito imagem nas imagens que se moviam (não sei descrever). Teve a poesia feito movimento no balé em dueto com uma máquina. A adrenalina no salto do moço em uma mega rampa. E teve emoção, sim. Muita. Na queda da atleta que levava a tocha. E, principalmente, no momento pais e filhos, com a bota especial, levando a bandeira.


 Um dos meus momentos preferidos: o coração pulsando, criado a partir dos rostos dos atletas. E, claro, a chegada da tocha e o Clodoaldo Silva, meu Clodoágua, acendendo a pira. Eu chorei muito. E ri. E fiquei hipnotizada. O Nuzman falou que os atletas paraolímpicos eram superhumanos e nossos heróis. Algumas pessoas se irritaram, questionaram e tal. Mas foi a mesma frase que ele usou na abertura dos Jogos Olímpicos. E me representa. Os atletas – assim como os artistas – são isso pra mim: admiráveis. Impressionantes.

Ontem me perguntaram se eu não estava sendo preconceituosa me emocionando com tudo do esporte paraolímpico só porque era paraolímpico. Eu nem repliquei, certamente a pessoa não presta atenção o suficiente pra notar que eu me emociono com tudo que é esporte. Eu me comovo com a (im)possibilidade do corpo. Com a beleza e plasticidade dos movimentos. Com o comprometimento. Com a vontade de superar a si mesmo.

Eu sou grata. Grata a cada atleta que me inspira. Que existe e faz, do seu corpo, movimento, beleza, força, agilidade, tensão, esforço. Cada atleta me lembra que o ser humano é foda (no sentido negativo), mas também pode ser muito foda (no sentido de maravilhosidade). Só quem nunca viu a Ádria correndo, Daniel ou Clodoaldo nadando pode fazer uma pergunta estúpida assim.

A delegação brasileira tem 286 atletas. Uma coisa que chama atenção é que é uma delegação muito mais branca que a delegação brasileira presente nos Jogos Olímpicos (e muito mais branca que a média da população brasileira). Imagino que um dos aspectos que ajudam a entender isso é que o esporte se apresenta como uma possibilidade de ascensão em um caso e, no outro, demanda uma certa estrutura prévia para ser praticado. O preço dos equipamentos, por exemplo, é proibitivo. E o apoio estatal é miúdo e a indiferença dos patrocinadores é nítida.

A transmissão, claro, reflete a estrutura de invisibilidade que as pessoas deficientes enfrentam cotidianamente. No lugar dos 14 canais do Sportv, um e meio e a transmissão da Tv Brasil. E eu que queria pregarmeu olho no Daniel e não piscar nunca mais…

09hs – Goalball masculino
09h30 – natação
09h40 – tênis de mesa
10h – futebol de 7
10h – atletismo
10h – Judô masculino (2 atletas)
10h15 – Goalball feminino
10h15 – judô feminino (2 atletas)
11h – tênis de mesa
11h40 – tênis de mesa
12h15 – basquete em cadeira de rodas feminino
12h20 – tênis de mesa
13h40 – tênis de mesa
15h15 - basquete em cadeira de rodas masculino
16h - tênis de mesa
18h - tênis de mesa
18h40 - tênis de mesa

20h - tênis de mesa

(e a noite tem as finais da natação)

2 comentários:

Renata Lins disse...

essa capacidade que você tem de ver as coisas é uma lindeza. beijo.

Lais disse...

Oi. :)
Só queria dizer que acho um absurdo a globo não transmitir...

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