segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Nem É

Bazunça. Era assim que o filho dizia. Cabe o termo. Pra cama, pra cozinha, pra bolsa. Pra vida.

Eu devia reler “A Convidada” da Beauvoir, mas tenho medo.

As pessoas erradas. Uma idéia de festa desperdiçada.

Às vezes não é tristeza. Às vezes não é gostoso. Às vezes não é preguiça. Às vezes não é maldade. Às vezes não é a hora. Às vezes não combina. Às vezes não machuca. Às vezes não alenta. Às vezes não dá certo. Às vezes não dá tempo. Às vezes não se esquece. Às vezes não se entende. Às vezes não é.



Eu nunca me imaginei regionalista mas tem dias que até pessoas muito legais da cintura pra baixo do Brasil me entendiam e/ou me exasperam de tal forma que canto a sério o repente.

De vez em quando, com algum espanto, me pego com pequenos rompantes de inveja e anseio por aquilo que já rejeitei. Não demora a passar, não sem antes um pequeno riso auto-indulgente e a certeza de que voltaria a dispensar se novamente me fosse oferecido. Mas, no pequeno intervalo, eu lembro que ainda sei doer.

Eu não sei fazer literatura mas tudo que escrevo é ficção.

Estou procurando um texto. Ou, mesmo, uma frase. Pelo menos uma. Que seja bonita e potente. Que diga um encanto. Que adormeça o dor. Que abra uma janela. Que seja espelho. Ou desfiladeiro. Que convide. Que acolha. Que possibilite. Que mareje o peito. Uma frase. Um texto. Uma entrelinha que seja. Que não chega.

Um comentário:

Renata Lins disse...

O meu (um dos meus) dizia "badunça. E acho que nunca vou reler A Convidada.
Beijos.

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