terça-feira, 2 de agosto de 2016

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Por aqui, impossibilidades. Histórias que não são minhas. Sentimentos que são.

Tem gente que faz com tanta naturalidade. Demonstra a preocupação. Chega junto. Segura a mão. Abraça, encomenda flor, serve café. Está. Fica. Oferece. Acolhe. Suporta. Sustenta. Eu não faço nada disso. Não sei. Nem lembro. Queria ser mais assim – e me esforço. Quando vejo uma iniciativa, repito. Imito. Sigo sugestões. Mas nunca é tão pertinente e fluido como a forma como algumas pessoas sabem ser conforto.

Eu queria ter sido mais. Ter dado mais. Estado mais. Falado mais. Abraçado mais. Oferecido mais. E, ao mesmo tempo em que escrevo, sei que nunca seria o bastante. Pior, nunca seria o tanto certo. O que transborda também impede de respirar.

Procurar explicações, uma forma de tentar lidar com a angústia. 

Por uns momentos parece que não dói. Que não doeu. Que não vai doer. Que não é com a gente (aqui, a gente sempre sou eu, tá). Você (eu, eu) fala, age, interage. Vive. Não doeu, não vai doer. Nem senti direito. Já entendi. Até que não. Dói. Dói muito. É um extremo egoísmo, eu sei. E me envergonho. Mas eu não posso evitar, não agora. Posso entender depois. Não agora. Agora eu sinto sua falta. Sinto que vou sentir mais. E mais. 


4 comentários:

Renata Lins disse...

entendi tanto esse teu post.

Renata disse...

Eu fiquei com vontade de mandar um abraço e dizer que o que pensei lendo seu post é que, quando é o amor que dá o tom, a gente nunca acha que fez o bastante. Mas, como diz o Rosa, qualquer amor é um descanso. E serve, e conforta.
Um beijo, querida.

Verônica Mambrini disse...

E tudo isso, com a sensação da importância. Estamos na mesma página. Abraço bem forte - mesmo que um tanto inútil.

Rita disse...

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