sábado, 13 de agosto de 2016

Garrafinhas Olímpicas 7

Ontem a seleção brasileira de futebol fez um jogo emocionante contra a Austrália e passou pras semi-finais nas Olimpíadas de 2016. Foi um resultado muito bom. Não foi um resultado vindo no vácuo. A seleção feminina de futebol foi medalha de prata em 2004 (Atenas) e Pequim (2008). Foi ouro nos jogos pan-americanos em 2003, 2007 e 2015 e prata em Guadalajara, 2011. Além disso, foi vice-campeã na Copa do Mundo de 2007, principal resultado do time em sua trajetória. É a sexta do ranking, neste momento.


No jogo de ontem, Marta, o grande nome do time, exausta e sobrecarregada pela ausência da Cristiane, errou o penâlti. Não foi inédito. Não foi banal. Nessa trajetória, ela já errou. Mais acertou que errou. Como, aliás, Formiga, Ester, Sissi, Michael Jackson, Cristiane, grandes jogadoras que deram consistência e rumo ao time por todo esse tempo em que a seleção – mesmo sem apoio consistente e sem suporte – tem se mantido entre as maiores seleções.

Nossa torcida tende a ser personalista, mesmo em esportes coletivos. Especialmente no futebol que, entre os coletivos, é o que mais abre espaço para a busca sebastiana de solução. No momento em que os olhares da torcida e da mídia, enfim, tem se voltado para o futebol feminino, em que se grita que Marta é melhor que Neymar (incoerentemente, na minha opinião, já que esse tipo de comparação não deixa de indicar que o esporte praticado por mulheres não se basta, a referência é externa, devíamos gritar que Marta é melhor que Mia Hamm) penso que há uma agridoce lição na falha da Marta. O esporte é coletivo. Foi incrível que Bárbara tenha defendido os pênaltis. Foi. Mas foi indispensável que cada uma das outras tenha acertado seus chutes.

Dito isso, no esporte individual o peso do erro e o brilho do acerto é partilhado com pessoas próximas, mas dependem, de forma direta, do desempenho de quem o realiza. No esporte coletivo, não. O desempenho individual qualifica o que o grupo obtém, mas não o determina. Porém o erro específico, pontual e não diluído (a diferença entre perder um penâlti e perder todos os gols que a Debinha perdeu ontem) tem um peso extra, de aparentemente desiludir e falhar não só consigo mesmo, não só com quem acompanha, não só com quem torce, mas com quem faz junto, com quem se divide treino e jogo. Senti junto o alívio e a alegria da Marta. Senti junto a angústia e a catarse da machucada Cristiane. 

Hoje eu deveria estar escrevendo um texto cheio de emoção. Porque eu me emocionei. Eu xinguei, pulei, vibrei, gemi. Mas não é o texto que veio. Porque eu lembrei de cada derrota em jogos decisivos e percebi que nenhum deles me fez amar menos esta seleção ou reconhecer menos seus feitos. Se tivesse ido dormir de cabeça inchada por uma derrota e desclassificação da competição, ainda assim acordaria esperando o próximo jogo. Esperando a próxima copa do mundo. O próximo pan. Os amistosos. Tudo e qualquer coisa.

Cada jogadora que passou pela seleção feminina de futebol conta com meu carinho e admiração. Meu anseio que permaneçamos na competição é menos pelas medalhas possíveis e mais pela possibilidade de ver um jogo, mais um jogo, cada jogo. 

E, pra mim, cada gol é de placa.


O atletismo começou em grande estilo, cheio de espírito de luta e persistência, com a corredora nigeriana caindo, perdendo a sapatilha e correndo com um pé descalço. Vamos ao dia de hoje, em família e com oriocó:

11h – vôlei de praia
11h40 – polo aquático feminino
14h – ginástica de trampolim
14h15 – basquete masculino
15h30 – basquete feminino
16h40 – handebol feminino
22h – futebol masculino
22h03 – natação
22h35 – vôlei feminino

Durante todo o dia tem atletismo, o que mais gosto e amo nas Olimpíadas. E tem Bolt VIVA


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