quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Garrafinhas Olímpicas 4: O Mito

Vocês devem imaginar que, nesse ritmo olímpico, eu mal estou conseguindo comer e trabalhar, imagine limpar a cozinha. Modus que espero voluntários para lavar a louça enquanto eu mantenho o mundo informado dos eventos olímpicos…

Ontem teve aquele gostinho de espírito olímpico saindo pelo ladrão. Teve o esgrimista acusando que o golpe pontuado para ele não era merecido, teve o judoca Nacif Elias voltando ao tatame para pedir desculpas pelo barraco que armou, incorfomado pela desclassificação. Teve o técnico dele chorando de se acabar e desabafando sobre as condições do treino. E teve Phelps.



Phelps é História, com H maiúsculo. Praticamente o contrário do que falei ontem sobre a Rafaela. Sim, todas as condições. Leite de pêra e tal e coisa. Estrutura. Treino. Tudo. Mas não explica. Não é o suficiente pra explicar. Há mais, nele. Há brilho. Desejo. Vontade. Emoção. Força. Poderia ficar um tempão tentando definir o que leva uma pessoa a ganhar mais medalhas, sozinho, que 174 dos 206 países reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional. Tem mais medalhas de ouro que a Argentina, poxa. E não estou falando de nenhum item vindo de fábrica. Não é nada na essência dele. Nenhuma predestinação. Não nasceu para ser campeão ou qualquer coisa assim. Mas ele se fez e foi feito e vence. Vence até o tédio de tanto vencer e se reinventa e retoma uma medalha nos 200m borboleta, coisa nunca antes conseguida por nenhum nadador. E chorou no pódio como se fosse uma experiência única. E era. Descobrir o inédito em uma trajetória homogênea de vitórias, que beleza. Ontem a noite ele me arrepiou. É gostoso ver a História sendo feita bem diante dos meus olhos.  (sobre isso, texto bom aqui)

E o dia olímpico? Foi assim: o vôlei de praia na pisa me lembrando de um tempo em que só dava Brasil na areia. Bateu saudades. No judô, Mariana contou um, contou dois, contou três e foi indo, mas não deu pra medalha. Não que eu conte ou cobre, mas é tanto treino e sacrifício que eu me comovo junto com ela. Na ginástica feminina, a aequipe brasileira ficou em sexto. Se tivesse prêmio pra carisma, fofurice, charme, com certeza nossa pontuação seria maior. No tiro com arco avançamos até a segunda fase. O vôlei masculino de quadra levou um susto do Canadá, depois colocou as coisas no lugar e venceu jogando ok. No futebol feminino, o que acontece com um time já classificado: trocou-se um monte de titular, jogamos feio pra dedéu mas empatamos. O que todo mundo que acompanha futebol sabe que rola (desculpe, não resisti ao cutucão). 


Sobre o resto tudo, digo eu: nem sempre, quando a gente não concorda, é porque alguém não entendeu. Eu entendo, só não concordo. Resultado, provavelmente, desta filiação, não muito bem vista atualmente, à psicanálise e ao materialismo dialético. Para mim o caminho, que inclui a linguagem, é tão relevante quanto o pretendido local de chegada. Pensar com a dialética é entender a potência nas contradições. Dar primazia ao concreto. Que é, inclusive, fala, letra, dito. Não é minha revolução se não há novo no dizer.

Um comentário:

Renata Lins disse...

só pra comentar que eu gostei mesmo foi do último parágrafo.
:)))))

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