terça-feira, 9 de agosto de 2016

Garrafinhas Olímpicas 3: Miss Wazari

Dia de começar atrasada por motivos de vida e eu ia falar sobre uma coisa e outra, mas não dá pra falar de outra coisa que não seja a incrível Rafaela e sua medalha de ouro no judô. Miss Wazari, como disse meu irmão. A primeira luta ela ganhou ligeirinho, mal deu tempo a gente começar a torcer. Na segunda ela usou a estratégia, fez um wazari, usou as punições com inteligência e venceu. A terceira foi pedreira, meu coração apertou, mas deu tudo certo. Na semifinal, ganhou da romena medalha de prata em Londres, 2012. Aí foi a final e HAJA CORAÇÃO. Uma luta contra a atual líder do ranking mundial da categoria. Foi uma vitória maiúscula porque ela mostrou técnica, inteligência, persistência, foco. E, depois, a explosão de alegria.



Mulher, favelada, negra. Um rosto tão brasileiro e dolorosamente negado por nós, brasileiros. Uma medalha que foge do meritocrático “ela merece”. Não que não mereça. Mas sua conquista indica que isso não pode bastar. Foi preciso um projeto social. Uma ONG, de um também medalhista. Foi preciso uma “bolsa-atleta”. Foi preciso apoio psicológico pra superar as dificuldades de ser alvo de misoginia, preconceito de classe e, principalmente, racismo.

Algumas pessoas postaram algo como: aê, racistas, e agora, onde tá seu deus agora, bandido bom, bandido morto e agora negra ganha medalha. Eu não sei se vale a pena explicar, mas, ó, a galera que vibra com bandido bom, bandido morto e agora comemora a medalha da Rafaela não vê a contradição entre estes comportamentos. Pelo contrário, acha que se todos se esforçassem podiam fazer "pelo menos isso" "no lugar de ser bandido". E que a morte dos jovens negros cotidianamente nas favelas é algo que eles fizeram por merecr ao não se fazerem rafalas-vencedores-de-medalhas. Porque a visão meritocrática perpassa a análise e arrasta consigo a idéia de que é só querer e se esforçar. Superação passa a ser palavra-fetiche que vela as contradições sociais, o genocídio negro, a marginalização, a falta de perspectiva, a pobreza, o preconceito.

Por outro lado, não dá pra resumir a vitória da Rafaela apenas a uma bandeira política, a uma pauta militante. O fato é que Rafaela é, hoje, a maior atleta do judô brasileiro em termos de resultado. Única campeão olímpica e mundial. A alegria dela não devia ser instrumentalizada. Fazer isso não diminui o que ela realizou, mas diminui a nós. 

Para além de rafaelices tivemos Pombo perdendo na primeira luta, a esgrimista brasileira lesionando o joelho e chorando muito, Manuella Lyrio, Leonardo e Caio se classificando para semifinais e Joana Maranhão muito chateada por causa de 5 centésimos. Handebol feminino sobrou em quadra. Ginástica masculina fazendo história ficando em sexto na competição por equipes. O time de vôlei feminino jogando mau e ganhando, mas na hora certa, contra a Argentina, time mais fraco. Começaram as competições de vela, mas só sei que o Scheidt está em sétimo. 

E lá se vai. Um dia a mais de Olimpíadas é um dia a menos de Olimpíada. 

Programação 09/08 

09h – esgrima masculina (hoje é espada)
10h – vôlei de praia masculino
10h35 – judô (Mariana Silva)
10h56 – judô (Victor Penalber)
11h – vôlei de praia feminino
13h – natação
14h15 – basquete masculino
15h30 - basquete feminino
16h – ginástica feminina por equipe
16h - saltos ornamentais
16h30 – vôlei de praia feminino
16h40 – handebol masculino
22h - natação
22h – futebol feminino
22:35 – vôlei masculino

além disso 10h20 tem polo aquático, tem tênis (tipo o dia todo), remo, vela, rugby e, claro, a MELHOR torcida que a gente vê dando uma passadinha no boxe.


3 comentários:

Renata Lins disse...

achei muito respeitoso o texto. o cuidado de não aprisionar Rafaela em uma narrativa.
isso tá me incomodando sobremaneira: todo mundo tem pauta ao falar de Rafaela.
acho que foi algo assim que tu disse, né?
beijo.

Luciana Nepomuceno disse...

Obrigada :) desde ontem estava pensando nisso. tem um contexto, claro. mas a vitória, o esporte, também tem uma dinâmica interna. eu tava preocupada em reduzir, limitar. e foi tão gostoso, porque a gnete tem que atropelar com tanta pauta, affe.

Laís disse...

Adorei Lu. Concordo muito. :)
Bjo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...