segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Garrafinhas Olímpicas 2

Segundo dia de competição e já fomos melhor no ciclismo, no tiro, levantamento de peso e esgrima. Na esgrima, hoje o Guilherme Toldo jogou muito bem, chegou a vencer o segundo do mundo, atual campeão mundial.

No judô, aprendendo a lidar com a frustração de dois dias sem medalha. Érika lutou bem, mas não conseguiu alcançar a medalha olímpica desta vez. Mas não foi um dia perdido no judô, teve ouro para Majlinda Kelmendi, a primeira campeã olímpica do Kosovo. Aproveitei o hino, quem sabe se ainda haverá campeã no Kosovo. Ou mesmo, Kosovo, né. E valentes, teve mais. Um exemplo, a espanhola Laura Gomez, que quebrou o nariz, enfaixou, voltou e ganhou a luta.

Sobre a ginástica feminina, começo com um pensamento que sempre me ocorre: que maravilha será quando o solo masculino também for executado com música. As nossas atletas foram bem. É evidente a diferença técnica em relação a outras equipes, mas como é bom abstrair e ver o esforço da Jade, a molecagem da Rebeca, a alegria da Flavinha e a doçura da Daniele. Dani Hypólito, uma mulher admirável. Talentosa. Trabalhadora. Persistente. Nunca deixa de me comover a forma como ela se entrega às provas. E como lamenta saber que não atinge o que desejaria oferecer ao país. Hoje ela caiu e pediu desculpa. Não deveria. Não precisava. Deveríamos nós pedir desculpas por fazermos um país que não sabe reverenciar o que ela fez pelo esporte.

Rebeca Andrade

Quando eu vejo a equipe feminina de ginástica, penso na Daiane dos Santos e lembro que ouvi um atleta dizer, uma vez, que no que se refere a esportes praticados individualmente, como ginástica ou tênis ou corrida, é difícil, em um país sem apoio e estrutura, um atleta chegar ao topo, ficar entre os melhores do mundo. É difícil. Mas muito mais difícil é manter este nível. Permanecer.  Mais difícil ainda viver o vácuo que advem depois que começa o declínio. Vivemos isto com o Guga, por exemplo. E isso me dói. Fala-se muito em patrocínio e condições de treino. E sim, obviamente isso é importante. Circular pelo mundo, participar de competições, ter técnicos de ponta e condições de trabalho. Mas isto é a pontinha do iceberg. O que precisamos é formar os atletas. Sabe a lei da dialética? O salto da quantidade para a qualidade. Precisamos valorizar e apoiar nossos Gugas e Daianes e Maureens. Mas precisamos de mais, precisamos ter maureens, daianes e gugas, jogando, correndo, lutando, nadando, saltando em toda rua, escola, esquina.


E todo dia tenho um PS diferente. Na pressa de valorizar o esporte praticado por mulheres, acabamos dizendo besteira, como, por exemplo, que o futebol feminino é mais bonito, mais limpo, menos agressivo que o praticado por homens sem nem reparar na essencialização dessa narrativa. Somos naturalmente mais delicadas? Nem vem.  Ou este meme que está circulando sobre "lutar como menininha" e que a consequência disso é vencer. Só posso concluir que a galera não entendeu muito bem a regra do esporte. Vou dar uma informação supreendente, por favor se sentem antes de ler: mulheres jogam/lutamdisputam com outras mulheres nas Olimpíadas. Então ou as mulheres estão jogando/lutando contra Ets ou o que acontece quando você joga como uma mulher (suspense) é vencer, perder ou empatar. #fikadika

Programação 08/08

9h – sabre individual
10h – hipismo (gosto muito)
10h07 – judô (Rafaela Silva)
10h56 – judô (Alex Pombo)
11h – vôlei de praia feminino
13h – natação
15h30 – vôlei de praia masculino
16h – ginástica
17:30h – basquete feminino
22h – finais natação
22:35 – vôlei feminino

3 comentários:

Verônica Mambrini disse...

Quando se fala no esporte feminino (esses memes mesmo), eu interpreto não de forma essencializante, mas como criar uma cultura diferente. Eu vejo como forma de entender o jogo mesmo, de responder à realidades. Não algo intrínseco a ser mulher, mas para onde essa história nos levou, e que algumas formas de vencer adversidades, de fazer parte dessa arena, são possíveis, a atletas de qualquer gênero.

Luciana Nepomuceno disse...

Acontece, Vevê, que não é verdade. Só aos olhos de quem não acompanha o esporte, quem vê apenas nas Olimpíadas e Pan, momentos em que todos, inclusiv o masculino, são pautados por valores mais"altos".

Mas se acompanhar uma liga de futebol feminino, os jogos do time feminino do Santos, por exemplo, tem puxão de cabelo, cotovelada, canelada, palavrão, falta maldosa, tudo.

Eu amo futebol. Mas idealizar o futebol feminino não faz bem nenhum ao desenvolvimento da modalidade.

Renata Lima disse...

"Ou este meme que está circulando sobre "lutar como menininha" e que a consequência disso é vencer."
Eu não tinha pensado nisso assim até vc apontar.
EU não pensei assim, sabe?
É que a gente não é ensinada a brigar, não é estimulada, não é treinada para brigar "na mão", "no braço", é ensinada a achar vulgar, coisa de barraqueira.
E de repente tem essa coisa: Katniss, Rey, Hermione, essa turma de meninas que briga (Hermione dando o soco no Malfoy, como foi bom, mesmo não sendo bom estimular a violência e tal e coisa)
E menina pode lutar, brigar, ganhar. E pode perder, também, é claro.

Sobre futebol não sou capaz de opinar. Amo o Galo, odeio o Flamengo ;-)

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