sábado, 27 de agosto de 2016

Encontros e Despedidas

Eu gosto dos finais enigmáticos, dos finais dramáticos, dos inesperadamente tristes. Mas ainda assisto tudo, tudo, até série francesa, torcendo pelo final feliz, mesmo para os mortinhos que voltaram confusos e abilobados.


 É claro que fui pra rua ver o encontro de Júpiter e Vênus. Quando dois planetas estão mais perto de se encontrar do que a gente com quem se quer, o mínimo que se pode fazer é espiar. Estava escuro. No céu, nada. Deu uma tristeza. Um negrume no peito. Um amargo. De lembrar outro céu, em outra noite, de risos, talvez. De me sentir à parte, quando nem os astros e mostram pra mim. Nem Júpiter, que está por todo canto no meu mapa, nem ele quer minha companhia. Foi dolorido sentir a solidão como golpe e não como potência. Os olhos marejaram. Daquele jeito quando arde a garganta e a gente pigarreia e pisca. E pisca. E no enevoado, o brilho. Eu não estava olhando pro lugar certo? Nem quis saber nem responder, sei lá se planetas ou o arder da lágrima com o brilho do poste. Foi encontro. Foi luminosamente tocante. Tão bonito que foi. Fiquei ali, deixando os olhos serem correntezas, deixando sair a saudade líquida, deixando vir a beleza se incrustar na vista. Tem hora que parece que o viver se encaixa melhor se simplesmente o acolho. Pode vir, pode chegar, em sabores, o amargo, o salgado, o azedo e sim, claro, o doce. Vem, um ressalta o outro, potencializa o outro, se mistura, se equilibra. Na corda bamba de sombrinha.

Eu sou uma pessoa bem teimosa, é fato, mas sou capaz de conversar bastante tempo com alguém que não compartilha a mesma visão sobre algum tema. Porém algumas coisas me brocham totalmente e me fazem cair no silêncio, tipo superioridade moral. Sabe aquelas pessoas que concordam com uma idéia porque o ângulo lhe favorece? Então, não dá pra mim.

Parece que setembro nunca chega.

Eu sei que é falacioso apostar tudo em uma jogada. É ingênuo achar que um evento muda tudo. É bobo ficar esperando que um lance te redima. Mas é exatamente assim que ando vivendo meus dias.

Além disso, parece que entrei em slow motion. Faço tudo mais devagar, não dou conta dos compromissos e acho muito difícil colocar uma palavra depois da outra com alguma lógica.

E, enquanto a vida morde e assopra aqui, miúda, em mim, em Brasília os podres poderes afiam as arestas e despudoradamente confirmam o golpe.

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