terça-feira, 5 de julho de 2016

Garrafinhas, again

Tenho que arrumar os slides. A mala. A pia. A cozinha. A casa. A vida. Estou: fazendo listas aleatórias.

Quando eu fico sem escrever, leio menos #peculiaridades

Ando compartilhando além da média os posts do Cinema Clássico para disfarçar meu silêncio.

Sabe aquela cobra que se encrencou se prendendo na própria pele? Eu e essa angústia que me limita.

O que você quer ganhar de natal? Estilo. Flaubert e Lacan, numa esplanada, confidências e licor em pequenas taças, rindo acintosamente de mim.

Procuro nomes bonitos: boicote, procrastinação, mas suspeito que meu mal é preguiça. 

Vai passar, vai passar – como bem me lembrou um dos blogs da Central do Textão. Mas a certeza que tenho é que isso tudo será lembrado na minha vida como Átila. E eu, a grama.

Isa, eu li seu comentário e estou escrevendo um post sobre meu tempo em Portugal, tá? 


Uma das imagens-síntese-ícone da minha vida é a garrafinha jogada ao mar com um pedido de socorro. A esperança absurda. A tentativa de contato. A necessidade de precisão e síntese. A designação de quem se é como um apelo. A convicção da alteridade, em algum lugar. Por um tempo achei que tudo que eu escrevia era um esboço do bilhete suicida, sempre inadequado e insuficiente. Mas apesar da escrita poder ser isso, muitas vezes, aliás, ser exatamente isso, o que faço é (me) lançar mensagens ao mar em garrafas. Tentando dizer quem sou e onde estou, sabendo muito pouco sobre estas questões. Reconhecendo meus limites, sabendo que estarei aqui, se alguém chegar, embora onde é o aqui seja uma informação que desconheço. Perdida. Completamente perdida. 

Então, faço isso. Escrevo, escrevo, escrevo. Lanço minhas garrafinhas ao mar e, a cada vez que o faço, o que faço é reconhecer minha humanidade.

4 comentários:

Angélica disse...

O que a gente comenta quando fica sem palavras, quase sem ar? <3

Courage Dear Heart disse...

Gente, pode ter um botão de curtir e outro de gratidão nesse post? Obrigada por compartilhar, amei!

Renata Lins disse...

leio e o que me ocorre é: peixes, ascendente peixes, se explicando....

Isa disse...

<3 e de repente, depois da referência à minha pergunta, falas de mensagens em garrafas, o título do meu primeiro livro. Que não é um pedido de socorro, mas são mensagens ainda assim. Beijo, querida.

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