sexta-feira, 1 de julho de 2016

A Bunda, a Lua, o Pão

Eu costumo me considerar aquele tipo de pessoa que tem a bunda virada pra lua. Eu sinto que as coisas que me acontecem são boas. Eu sinto que a minha vida é muito boa. E não estou me referindo às questões econômicas e afins, embora, claro, elas qualifiquem as demais. Estou falando do processo todo. Por um tempo eu vivi isso sem assombro. Era assim, pronto. Aí eu fui descobrindo que a vida podia ser diferente. Eu percebi que viver podia ser um bocado dolorido pra muita gente. Eventualmente, até pra mim. Com a descoberta, a gratidão. O reconhecimento. Tem arte minha, claro. Mas o mundo ajuda. As pessoas lindas. O lugar bom. O vento que infla minhas velas. De maneira geral, a imagem é essa:



Daí que arrastei a bunda e a lua pra cozinha pra tentar fazer o meu primeiro pão. Que, claro, dado meu perfil, eram dois. Voltando um pouco, pra história ficar menos confusa: decidi um tempinho atrás que seria uma pessoa que aproveita a piscina do condomínio todas as manhãs, faz pão no fim de semana, tem ervas aromáticas em uma mini horta no quintal e se balança na rede no fim de tarde que não tem aula. Tem uma e outra coisa a mais, mas é nesse rumo. Comecei pelo mais fácil, né, ando piscinando. A seguir, a vontade de fazer pão desencadeou um momento Becky Bloom. Foi uma espátula de silicone (4 reais), uma tigela grande (24 reais), uma forma retangular de pão (25 reais) e uma máquina de pão que troquei por pontos multiplus. Hoje chegou a máquina de pão e quem não quer logo experimentar qualquer coisa nova? Mas a máquina não demanda nenhum dos outros instrumentos comprados e lógico que eu não podia deixá-los abandonados. Ou seja…

Fiz dois pães. Vocês nem devem conhecer, mas desde pequena eu curto uma música chamada Fracasso. Que bem podia ser a trilha sonora. “Por te querer tanto bem, seu pãozito…e te fazer tão mal”. Ou algo assim. Quando comecei a desejar fazer pães comecei a ler loucamente sobre o tema. E por todo lado eu li: seguir as receitas com muita disciplina e rigor. Oh, mundo, oh, azar. Pois bem. Sou bem ruinzinha para seguir passos, modelos, receitas. Pão 1, o pão da máquina. Resolvi fazer uma receita que levava 2 xícaras de farinha branca e uma de farinha integral. Troquei logo, claro. Falam que fica melhor o pão claro. Escolhi escuro. Manda usar açúcar mascavo, usei o que tinha (demerara). Preciso dizer que além da máquina fazer todo o trabalho verdadeiro, ainda tive a assessoria da minha irmã ditando a receita e dando os bizus. Ou seja, bunda, lua, máquina e um pão que saiu assim:



 O cheirinho que ficou pela casa foi muito bom. O sabor do pão ficou melhor que o gosto do pão integral que compro na padaria. Fico crocante por fora como eu queria e macio por dentro. Eu queria ter colocado gergelim, mas fiquei com medo de abrir a máquina no meio do processo. Fica pra próxima. #FracassoParcial

Enquanto a máquina trabalhava, resolvi fazer esta receita de pão de liquidificador. Enfiei o pé na jaca. Podia tentar colocar a culpa na receita, que é muito pouco precisa, mas a verdade verdadeira é que eu não fazia idéia de como a massa deveria parecer então fiz do jeito que foi e torci pra dar certo. E não deu. O resultado foi esse:




Ficou até gostoso (coloquei o gergelim, ervas finas na crosta, etc) -  e obviamente a manteiga na fatia quente ajudou bastante na avaliação. O cheirinho na casa toda foi maravilhoso, mas não cresceu, ficou solado. Pra fechar com chave de ouro #sqn esqueci de marcar o tempo direitinho, então me parece que assou mas bem podia ter ficado cru, fechei o fogo no susto. #FracassoCompleto

Dois pães, nada da sorte de iniciante Ainda assim gostei muito, estou empolgada e suspeito que vou ter que doar um bocado de pães, levar alguns para copa do nosso departamento, etc. Isso se eles continuarem saindo mais parecidos com o pão 1. O pão 2 só eu vou comer e, mesmo assim, escondida de mim. 

Dois pães e a sensação de que o resultado podia ter sido melhor, mas reconhecendo o delicioso que foi o processo. O assombro de que as coisas erradas ainda possam ser tão boas. Porque era ele (o desejo de fazer pão), porque era eu (engasgando de boca cheia). E, claro, a bunda virada pra lua, firme e forte.

2 comentários:

BethS disse...

ah, achei lindos os dois pães.
não tenho a maquina (queria muito ter) mas faço pão de vez em quando e garanto pra você que apanhei muito no começo.
mas hoje consigo fazer alguma coisinha mais interessante, mas ainda não cheguei onde quero...
mas sigo tentando, por isso digo: não desista, amiga!
:D

Renata Lins disse...

Eu guardei uma receita de pão aqui que parece fácil (?) e tô com esse projeto também. Quando fizer, posto. O primeiro ficou lindão e me deu vontade....

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