quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nós, o pistoleiro

Sobre o lance do cartaz do X-Man: não trato dessas coisas no varejo.

Sobre os autores que mudaram minha vida: pessoas que escreveram os livrinhos de cowboy, pessoas que escreveram Julia e Sabrina, pessoas que escreveram a Bíblia em quadrinhos, pessoas que escreveram os libretos da ópera Carmen. Maurício de Souza. Walt Disney. Pessoas que editaram contos de fadas naqueles livros que a gente mexia e os desenhos se mexiam também. Lá pelos doze anos: agatha e kafka. Suspeito que depois disso foi reencontro.

Nós, o pistoleiro, não devíamos ter piedade” deve ser a frase que mais efeito teve na formação da minha personalidade. Todas as da Marquesa, posteriormente, vieram me confirmar.

Provavelmente poucas pessoas leram ou lembram de Nós, o pistoleiro. E, no entanto. 

É que é tão simples. Uma rua empoeirada, o ar seco, o horizonte exigente. Tanto que a gente tem que evitar. Uma vida a se proteger. Uísque e pequenos goles, que a gente se afoga em lembranças. Não devia, mas tem hora que é demasiado tentador abrir o peito e esperar a dor. 

Até que se descobre o oco onde devia estar o coração.

Eu nunca fui boa fisionomista: olho as fotos antigas e me espanto se me reconheço.

Namorado. Sempre que eu falo a palavra me sinto com quinze anos – quem é meu amigo próximo já ouviu essa frase. Antes, pensava eu, arrogantemente, que sentia isso porque namorar é “coisa de adolescente” e havia uma certa condescendência na minha voz. Estava no subtexto: meus relacionamentos adultos não são namoro, são “outra coisa”, onde, claro, esse outra coisa locallizava e acolhia uma dinâmica superior. Bullshit (ou seja, besteira grossa da minha parte). Sai de mim, pensamento tosco. Hoje continuo me sentindo com quinze anos quando falo “namorado” mas entendi que não tem relação com a maturidade do tipo de relacionamento, mas com o fato de que com 15 anos eu namorava e namorava muito. Namorados, no plural, faziam parte da minha vida. As fotos confirmam.



Uma resistência com humor. É tudo que sei, é o que ofereço. 

Começou junho e já tem: ansiedade, bandeirinhas na rua, insegurança, forró como trilha sonora do supermercado, trabalho do próximo semestre se avolumando na mesa, vontade de montar o pratinho baião-paçoca-vatapá, copa-américa-oba, já-já-eurocopa-mais-futebol-oba-oba, saudades dos santos populares, vontade de ver quadrilha, barraca que vende no grosso, nervosismo.

Relações causais: fico ansiosa, baixa a imunidade, pipoca rosácea. Agora deu pra atacar a pálpebra. Suspeito que há coisas doloridas a serem vistas.

ENQUETE DA SEMANA (DO DIA, DA VIDA, SEI LÁ): Vocês curtem aqueles blogs que tem apenas o começo do post e a gente tem que apertar para continuar lendo? vocês desistiriam de ler um post, meu blog, etc se fosse nesse formato?

15 comentários:

Renata Lins disse...

no seu blog eu não desistiria. mas não entendo o propósito disso....
das leituras, o que me surpreendeu foi o libreto de Carmen.
do cartaz, não gostei.
o que era mais?
ah, sim! que bom que você voltou! :)
estávamos com saudade!

Maria Angélica disse...

No seu blog, não desistiria. Mas por favor, evite. ;)

Rita disse...

Não gosto, prefiro tudo escancarado.

Roberta de Felippe disse...

Respondendo a enquete: eu continuaria lendo o blog sem problemas mas confesso que prefiro o post completo. Acontece que mostrar apenas o resumo é uma tendência, muita gente tem configurado seus blogs/sites dessa forma.

Cláudio Luiz disse...

"No seu blog, não desistiria. Mas por favor, evite. ;)" [2]
como isso me irrita.

vc queria upas para o seu "Nós, o pistoleiro.", pra mim continua tão enigmático quanto os seus posts do feissy.

Renata Lins disse...

"Nós, o Pistoleiro": não conhecia. Nunca li nada do Scliar, embora saiba tanto dele. Quer dizer, nunca tinha lido. Até o conto agora. Amei. Precioso. Preciso. Trabalhado. Fiquei com vontade de ler mais Scliar, com mais raiva da história de Pi e do plágio-que-não-foi-plágio mas que.... bom, na real, foi um pouco.
Em uma das críticas, dizem que o Yann Martel pegou o roteiro do livro do Scliar e transformou uma gema da literatura em algo quase banal. Eu, sem ter lido, acreditei totalmente. Agora mais ainda.

BethS disse...

oi lu!
não faz isso no seu blog não, aqueles pequenos resumos que a gente tem de clicar pra abrir o post fica legal em portal, na central do textão, por exemplo... faz não, deixa assim como está!!

agora quero tirar uma duvida, eu que também sempre gostei muito de gibi de pistoleiro das bancas, tipo tex willer. quando você fala 'nós, o pistoleiro', se refere a moacir scliar e 'o cão mejicano chamado alonso'?
tou curiosa...
:D

Luciana Nepomuceno disse...

Renata, meu pai tinha uma coleção de vinis de ópera, cada um com seu libreto, eu devorei tudo mal aprendi a ler... lógico que Carmen logo se tornou um dos favoritos, né, rs

Meus povos, já que ninguém curtiu, vou continuar procurando um template m wordpress que seja bonitinho e mostre o post inteiro

Beth, sim, é esse personagem msmo. Esse conto acaba comigo.

Renata, acho que é bem isso que você disse. Acho que tem ritmo. Gosto demais. Não vi o filme do pi, sou birrenta, rs

BethS disse...

Renata, o lance do plágio foi um pouquinho pior. quando o yann martell ganhou o booker prize com seu 'aventuras de pi', o guardian levantou a extrema semelhança que existia entre a historia e o livro do moacir, que tinha sido publicado naquele ano na inglaterra.
o guardian entrevistou martell sobre isso e ele foi péssimo. disse que tinha lido sobre o livro por uma resenha negativa feita por john updike no NYT. por isso quis aproveitar 'uma boa ideia estragada por um escritor ruim'.
e o updike negou...
quem contou isso foi o próprio moacir scliar, que disse que vários jornais internacionais o procuraram, além de advogados, perguntando se ele queria levar isso pra frente... mas ele resolveu deixar pra lá... moacir foi decente, porque ele era assim...

Isa disse...

eu escrevi um comentário mas não publicou... Não sei exatamente do que falas, é o ler mais? o continuar a ler? o que apresenta apenas as três primeiras linhas do texto? acho que faz sentido quando o texto é grande e para manter os textos abaixo visíveis também, é uma forma de não espantar quem tem medo de textão :) quanto a afastar ou não o leitor, acho que o que faz isso é o conteúdo, o tema, a qualidade, se é fluido ou não, independentemente do tamanho...

Luciana Nepomuceno disse...

Isa, é o "continuar a ler". Olha, eu mesma sou super chata. Dificilmente sigo lendo blogs que tem fundo escuro e letra branca, ou letra pequena, ou pouco espaço entre linhas e, principalmente, se o texto não for justificado (e olha, eu sou uma devoradora de blogs, imagine quem não tem tanta vontade assim, rs). E aqui eu tenho poucos mas constantes leitores, daí sou susceptível à opinião ;)

Isa disse...

Ah mas aí eu te entendo, já não tenho idade para ler letras brancas em fundos pretos, principalmente letras pequenas, apesar de, esteticamente, adorar letras brancas em fundos coloridos... quanto ao ler mais, não me incomoda, eu uso esse recurso, o que me incomoda é spam, publicidade piscante, a saltar à minha frente, tudo o que me invada, me entre pelos olhos adentro sem que eu dê permissão... :) e texto mal escrito, isso incomoda-me muito :D as sensibilidades de cada um são o diabo... :)

Cláudio Luiz disse...

Luciana, ok, vc não gosta, mas só para constar, letras claras em fundo em escuro são menos cansativas e menos prejudiciais para os olhos que o fundo branco. No papel pode ser bom, mas no monitor, como fica o fundo claro gera uma luminosidade mais intensa, cansa mais.
Da próxima vez que vc for ao seu oftalmologista pergunta pra ele...
Já li por aí, que o ideal é colocar o monitor um pouco mais baixo, para que vc olhe com as pálpebras semicerradas, permitindo com isso que a lubrificação da córnea aconteça com mais facilidade e não prejudicando os olhos.

Luciana Nepomuceno disse...

Então, amore, é como eu expliquei pra quem me explicou que textos justificados são mais difíceis de ler. Pode ser assim - como isso do fundo escuro - para a maioria das pessoas. Pra mim não funciona. Fundo escuro me afasta. Fundo branco não me cansa. Pelo contrário, eu adoro a luminosidade. Aumento o brilho, até. E eu leio muito, muito, muito blog. Fundo escuro, tateio, quase não consigo terminar um parágrafo. Fundo branco, letra média, preta, texto justificado, leio rápido, termino ligeiro e comento feliz.

Cláudio Luiz disse...

ponto cego.

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