sexta-feira, 10 de junho de 2016

Longas Cartas Pra Ninguém



E aquele email esperado finalmente chegou. Menos festivo do que se desejaria. Menos terrível do que se temia. Chegou. Dimensionei dez dias de trabalho. Espero cumprir. Hoje fiz as coisas mais fáceis, pra me sentir andando. Amanhã começo o que demanda reflexão. E suor.

Faz tempo que tento utilizar a máxima do AA na minha vida. Um dia de cada vez. E mais o lance da sabedoria pra saber distinguir as coisas sobre as quais tenho ou não poder de transformação. Realizar esse trabalho tem me exigido coerência com esse lema. Sempre que tentei atropelar o ritmo de cada coisa,a seguir tive que colar os cacos. Espero, um dia, olhar o mosaico e gostar do que vejo. Para apreciar certos resultados, é preciso uma certa distância.

Eu uso mapas para te desvendar, você me percorre com o fio na mão. Não sabemos se abismo ou labirinto. Você vem de régua e compasso, eu te desenho à mão livre. Não tenho certeza se minha impetuosidade te assustará primeiro ou se, antes, tua cautela me afastará de vez. Mas insisto e permaneço, entre a suspeita e a vontade de que minhas palavras e seu silêncio falem a mesma coisa. Vou aceitando o possível.

Há um mundo lindo e divertido além dessa cama. A dificuldade é desenroscar as pernas e sair debaixo dos lençóis.

Quanto mais penso nisso e naquilo, melhor me parece. 

Eu gostaria de ter mais horas no meu dia para fazer mais coisas sem que interfira nas horas que uso para fazer absolutamente nada. Como conversei com o Hugo, não estou falando de mais tempo para trabalho. Mais tempo para o viver. Ele teve uma idéia bem boa: o mesmo rendimento, mas sem ter que trabalhar. Eu faria bom proveito, tenho convicção.

Polvo a lagareiro. Miradouro. Esplanada. Abraços. Pastel. Bonde. Atum braseado. Jardim. Vinho. Esquina. Azeite. Bolacha Belga. Mercado. Rio. Chocolate com Flor de Sal. Calçada. Azul. 



Só porque você não sabe dançar, não quer dizer que não deva dançar. Eu vou nessa onda. E nem preciso do álcool. Não me preocupo com o certo, mas com o bom. Um passo. Outro. Desengonçada. Hora errada. Empolgação a mais. Ritmo a menos. Mas firme, no meio do salão. 

Uma coisa sobre mim: sou em saudades e saciedade.


5 comentários:

Cláudio Luiz disse...

o copo está meio vazio ou meio cheio?
"Para apreciar certos resultados, é preciso uma certa distância."
"Vou aceitando o possível."
"o mesmo rendimento, mas sem ter que trabalhar. Eu faria bom proveito, tenho convicção."
"Não me preocupo com o certo, mas com o bom."
"Azul."
Vou tentando aprender.

Renata disse...

Muita coisa: o lema do AA é realmente terapêutico, né? Me ajuda em termos de mindfulness, outra coisa que tem deixado minha vida melhor.

Sobre se preocupar com o bom e não com o certo, fiquei com vontade de tatuar isso na minha alma. Preciso e perfeito.

Beijos e bom final de semana, querida!

Renata Lins disse...

e eu dizer que a sucessão de palavras-Lisboa me deixou com o coração cheio de saudades da minha uma semana, pode ou vc acha q é roubo de protagonismo?

BethS disse...

só porque você não sabe, não quer dizer que não deva: dançar, escrever, economizar os parcos recursos, flertar, desenhar, pedir socorro, ser feliz.
minha vida.
e também não me preocupo mais com o certo, mas com o que me faz bem.
gosto de você.
bom fim de semana!

Luciana Nepomuceno disse...

Renata, minha Lisboa é nossa <3

Cláudio, ficou at´parecendo que sou sábia, rs

Beth, concordo com tudo e o bem querer é mútuo

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