terça-feira, 14 de junho de 2016

Chips de Provolone e Outra História de Amor Falhado

Poucas vezes mudei tão rápido de idéia. Ouvi falar de chips de provolone e pensei: frescura. Ou, como diria o cachorrinho do meme: qual a necessidade disso? Já é queijo, já é bom. Tolinha. Agora estou apaixonada. Chips. Do jeitinho que vem, temperando com páprica, temperando com orégano, temperando com pimentinha, eita. É tão simples que espanta. Precisa, basicamente, do queijo. Melhora se rolar um papel manteiga. Melhora mais se embaixo desse tiver um papel toalha. E pronto. Ah, forno ou microondas. Por outro lado, não é exatamente um queijo dos mais baratos, estou pensando em como vou sair dessa armadilha de vontade em que me meti. Cartas para a redação (ou doações, vai que).

Uma coisa já sei sobre a minha tese: vai desagradar gregos, troianos e, até, algum espartano que estiver passando por ali. 

 Parece que estou com uma certa alegia à vida. Estou toda empelotada.

Tenho um projeto: cenoura & bronze.



Eu não sei contar nossa história. A única história de amor em que não só não me saí bem, mas me saí muito, muito mal. A única história de amor que considero aberta, incabada. A única história de amor para a qual peço, inutilmente até agora, uma outra chance. Eu não sei contar nossa história. Uma história que eu considerava que seria para sempre. Mesmo com as distâncias, mesmo com os silêncios, mesmo com os momentos diferentes. Mas era nossa. Nossa história. Cúmplice. Forte. Amorosa. Porque era você, porque era eu, eu esperava que sempre houvesse um nós. Com você e por você eu era melhor. Mais inteligente. Mais engraçada. Mais esperta. Com você eu era livre. Pra você eu podia dizer tudo, até sim e não. E aprendi a ouvir sim e não com você, para ouvir os seus. Só para você eu poderia contar essa história que me faz companhia em algumas noites insones de agora. Pior, só para você eu poderia contar a nossa própria história e pedir ajuda. Você saberia o como. Não um como qualquer. Não um como absoluto. Não o seu como. Você saberia o “meu” como. Você me sabia, uma eu melhor, uma eu que eu vinha a ser para você ter acertado. Você acertava sempre. Mas você não está. Não está aqui. Não está aqui pra mim. Eu achei que o amor bastaria. Que o passado garantia. Mas não. Eu sinto imensamente sua falta. E, egoísta, sinto falta da pessoa que seria com você. Eu não sei contar a nossa história. E ela tem tanto: um telefone vermelho, uma cachoeira, carta, madrugadas, pintura indígena, corpete, viagens, aprendizado. As nossas piadas internas, só elas, dariam um glossário imenso. As pequenas premonições. As grandes revelações. As miudezas. Os nossos apelidos, a você que eu criei pra mim, a eu que você nomeou pra você. A nossa história. Uma história de amor. Eu não sei contar nossa história, não sei escolher as palavras para dizer o meu erro, o meu silêncio, a minha omissão. Despreocupada, achei que você permaneceria. Displicente, achei que você voltaria. Descrente, li você dizer seu último não pra mim. Depois, o silêncio. Não aquele que já houve, íntimo, cheio de memórias e promessas, permeável, arejado. Um silêncio pesado. Um bloco. De portas fechadas. Pontes ruídas. Telefones desligados. Um silêncio de fim de estrada. Eu não sei contar a nossa história. Eu não quero contar a nossa história. Não quero considerar como uma história que foi. Quero você na minha vida. Escrevo e sei o patético de uma história de amor que sempre será, pra mim, inacabada.



Eu gosto, muito mesmo, de dedicatórias em livros. Gosto das que escreveram pra mim, gosto das que encontro em livros outros, que acabam meus, vindos de sebos, de doações, de trocas, de onde for. Gosto dos afetos escritos. Gosto do registro do momento. Gosto dos motivos elencados. Gosto de dedicatórias nos meus livros. Algumas, doloridamente gosto.

3 comentários:

Renata Lins disse...

eita, flor.
que doído tudo isso.
que texto bonito demais.
"eu não sei parar de te amar..."
Na versão em português daquela música de Closer.
eu sou bem assim, não sei deixar.
aí que dói em mim quando vejo que algo acabou.
te entendo um monte.
receba meu abraço amigo.

Renata disse...

Eu fiquei com vontade de só mandar um abraço.

Cláudio Luiz disse...

carmim encarnado

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