quarta-feira, 4 de maio de 2016

Na trilha do Belchior

Um dia você está pensando que já era. Sente uma coceira na garganta, disfarça o olhar úmido. Vai ficar bonito na parede da memória e cantarola um Belchior. Passou. Já não dói. Já não quer. Já não é. Foi bom. Foi bonito. Conjuga o pretérito perfeito e faz sentido. Vai deitar com aquele travo de futuro e, antecipa, acordará com gosto de esquecimento na boca...
...E no outro está lendo emails com uma fome imensa de agoras.
Eu não sou muito de fazer planos. Mas tenho essa pressa de viver (Belchior, again). Talvez por isso minha vida lembre tanto uma casa feita pelo Buster Keaton.

Maio não vai ser um mês fácil. Vou viver a espera de uma notícia que já sei que não vem. Não vou. Não fico. Não há quase nada pra fazer e, ao mesmo, tempo, pode ser que ainda haja tanto a ser feito. Vou respirar. Ou tentar. Acreditar. E agradecer a cada um que me faz sentir que há mais, embora durante esses dias todos eu com certeza não vá saber direito o quê.
A verdade é que eu gosto mais de me sentir maravilhosa.
Eu não lembro direito a primeira vez que vi/li a Graúna. Pra dizer a verdade, nem a segunda ou a terceira. Só sei que, um dia, seu despudor, sua ingenuidade, sua sensualidade escrachada, tudo isso fazia muito sentido pra mim. Em mim. Gosto do traço aberto. De ser tão incompleta. Ela. Eu.


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