terça-feira, 17 de maio de 2016

Segredo da Felicidade

Viver é acumular lembranças.

Não sei quem disse (ou se alguém disse) que o segredo da felicidade é saúde boa e memória ruim. Pensava eu que era pra ir esquecendo as coisas doloridas que nos aconteciam. Mas fui descobrindo que é quase o contrário. A gente (a gente sou sempre eu) sobrevive esquecendo o bom. Diluindo, devagar, a felicidade, pra poder respirar.

Tem essa barraca no térreo do Mercado Central, que vende suco. Cara, sentir saudades é um troço complicado.

E tem aquela saudade do que nunca vai ser. Como, por exemplo, um sanduíche de tubarão empanado, em pão frito, com molho de tamarindo, em uma praia em Trinidad e Tobago. 

Viver é um gosto. Adquirido. 

Sigo tentando. Por exemplo, um tabuleiro. E cores. Começa assim: tomate, cebola, cebola roxa, alho, batata, batata doce, cenoura, beterraba, abóbora, abobrinha. Em tamanhos diferentes. Corta maior o que assa mais rápido e em pedacinhos o que precisa de mais tempo. Tempera junto ou separado. Eu separei, pra destacar sabores. Cenoura e beterraba ganharam shoyu, mel, azeite. As batatas foram de azeite, manjericão e sal rosa. Abóbora e abobrinha ganharam alecrim, páprica defumada, sal e pimenta do reino. O resto tomou banho de azeite e um combinado de ervas secas. O forno pré-aquecido a 230 graus. Baixa pra 200 e coloca por 15 minutos tudo coberto por papel alumínio. Depois desse tempo, tira o papel e deixa assar por cerca de meia hora, quarenta minutos, ou seja, atéo ponto que preferir. Eu gosto quando as batatas ficaram com aquela casquinha por fora e molinhas por dentro. Depois de pronto, joga uma mão de queijo ralado. 



Se eu já tivesse te esquecido. Se eu soubesse como. Perder, para guardar. Ficar só com a sombra. As boas histórias. Vislumbres da alegria. Entorpecida. Se eu já tivesse te esquecido. Deixado pra trás. Deixado pra lá. Fechado a gaveta. Empoeirado o porta-retrato. Se eu ouvisse a canção sem chorar. Se eu não lembrasse o barulho da chave na porta. Se eu não lembrasse o gosto. Se eu não lembrasse o gozo. Se eu ocupasse toda a cama. 

E se não nascessem essas espinhas estúpidas no meu rosto. Borbulhas de amor.

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