quinta-feira, 12 de maio de 2016

O Dia Depois da (falta de) Amanhã

Não lamento que esse momento me afaste ainda mais dos que acreditam que há gente "de bem", dos que acreditam no mérito, dos que não se importam com a dor alheia, dos que acham bem a divisão de classes, dos que não se importam com a homofobia, a transfobia, o racismo estrutural porque, inclusive, se sentem confortáveis nessa estrutura. O abismo entre nós existe e a transformação do mundo passa por reconhecer essa diferença. Mas. Confesso que me dá uma dorzinha com os vãos alargados entre eu e os que eu gostava de pensar que estávamos juntos.

eu estou tentando rir.
eu estou tentando não me exasperar.
eu estou tentando planejar.
eu estou tentando me fortalecer.
eu estou tentando resistir.
mas a vontade de dá uma bifa num monte de gente, ah, tá tendo.


"meu coração não se cansa de ter esperança"
tenho demasiado cinismo intrínseco pra admirar quem cultiva e se gaba do seu.

Superioridade moral e deboche em relação a quem sonha. Tá tendo. E não é bonito de se ver.

A democracia sempre me lembra um jogo de criança. Só existe se a gente compartilhar regras e decidir segui-las. Se a gente aceitar e acreditar na regra. Especialmente em um país de desigualdades sociais e econômicas tão marcantes e estruturais, garantir a regra do jogo é o mínimo, já que a desigualdade na distribuição das pessoas nos times, na marcação dos pontos, na definição da distribuição do tempo de jogo, tudo isso já é feito pra favorecer determinada equipe. Só resta, minimamente, a regra, pra gente poder fazer que nem o Pequeno Grande Time do filme. Lutar por uma vitória de cada vez. Mas parece que o dono da bola, do campo, do apito, decidiu ficar com tudo na mão. E o queijo. E apontar a faca pra nós.

Mas seguimos no trabalho de Sísifo. A mesma luta. De novo e outra vez. Porque eu digo luta, mas podia dizer vida.





Tem gente que não viu a votação no Senado. Eu não pude me dar a esse luxo. Sei demais onde o meu está: na reta. Não só o meu, pessoal (que também), mas o meu agregado, o meu dos que amo, o meu dos agricultores nordestinos com quem aprendi, o meu das feministas com quem há pouco me juntei, o meu dos metalúrgicos, operários, sindicalistas com quem tenho partilhado o caminho do conhecimento, o meu dos alunos de uma universidade federal interiorizada, tão novinha, tão nordestina, tão vulnerável. Tem gente que não viu a votação no Senado. Sugiro que vejam pelo menos esse voto. Sei lá, pra lembrar do que está na mesa.



Não se trata do PT. Não se trata do governo. Mas sinto que nem adianta destacar isso. Só lamentar.

Inclusive Lulanão podia ser ministro porque investigado pela Operação Lava-Jato. Hoje serao sete novos ministros (que nem deveriam ser) nessa mesma condição. Só lamento. 


2 comentários:

Juliana disse...

Lu, eu vi o voto do Requião e... Por favor, me abraça.

Juliana disse...

Lu, eu vi o voto do Requião e... Por favor, me abraça.

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