quarta-feira, 25 de maio de 2016

No Infinito

Príncipes encantados não existem. Sei disso porque namorei as melhores pessoas e nenhum deles gostava nem de futebol nem de dançar (alguns até gostavam de mim o bastante pra suportar as duas coisas, mas…) 

Eu não cansei de tentar, porque eu nem comecei. Eu só segui. E segui só, se é permitido ser clichê para si mesma. Não tenho mais noites. O escuro me abandonou. As sombras me abandonaram. A solidão é clara e ofusca. Não abro as portas, não quero janelas. Mas há luz, tanta luz. E belezas, tantas. Por isso a escolha é sempre difícil, ninguém nos contou a verdade. Ou bem as dores de estar viva e sentindo. Ou bem as belezas de não sentir mais nada: morre-se. 

Uma verdade sobre mim:


Eu sempre tive esse olho da canção do Chico. Desviante. Teimoso. Por causa dele, acho, desde muito cedo meus pais me me levavam ao oculista. Era engraçado, ele vinha, fazia os testes, ano após ano  chamava os colegas de consultório: “vem ver, olha, só, 20 por 20”. Só mais tarde, quando já não era, foi que eu descobri que 20 por 20 era a visão “perfeita”. Isso durou até, sei lá, onze, doze anos. Aí a miopia veio, avassaladora e estruturante. 

Credito um monte à miopia. Uma certa fama de antipática. A vontade de ficar perto, bem perto, das pessoas. Alguma timidez. O amor aos livros. E o medo, indelével, de ficar cega. Eu era muito, muito míope. De dois pra seis graus, foi um pulo. Lentes grossas até os dezesseis, mais ou menos. E tinha o olho teimoso que, com o tempo, ficou também preguiçoso. Pra dar conta disso, passei muitos anos usando uma lente de contato específica: siliconada. Meio rígida, pra segurar o olho teimoso no lugar. Durante esses anos todos me foi oferecida a decisão de uma cirurgia corretiva. Do desvio, que a de miopia ainda era pouco confiável. Eu nunca quis. Nunca pensei nisso como um defeito, mas como algo que era meu, que era eu. Uma das coisas que meu corpo sempre foi pra mim: confortável. Certo. Bom. Gostoso. Enfim.

Um dia, a cirurgia de miopia ganhou outro status. Era confiável, rápida, eficiente. Paga pelo plano de saúde.  E eu estava de mal das lentes de contato. Uma tinha arranhado minha córnea e foi doloroso. Além disso, estava cansada de gastar dinheiro com os produtos de manutenção. Decidi fazer a cirurgia. E o desvio? disse o oculista – se quiser corrijo junto, na mesma operação. Quero não, obrigada. Foi uma cirurgia com efeitos colaterais impressionantes. Passei a ver o que eu não via e isso não se refere apenas à descrição material do mundo. 

Depois da cirurgia teve um tempo divertido em que eu tentava tirar do olho a lente que não existia ou procurava o óculos na mesinha de cabceira, quando acordava, meio zuruó. E vocês nem imaginam como era estranho fazer maquiagem sem ter medo de passar a sombra e pressionar demais a lente. Mas veio a idade, o estilo de vida e a sina. Hipermetropia. E eu nem pensei em voltar a usar lente porque a córnea fica mais delicada depois da cirurgia de miopia. Voltei aos óculos. Primeiro, meio Zelda, do Scooby-doo. Agora azuis e com ar de professora primária de revistinha em quadrinho. 

E toda essa história é só para fazer o #mimimi: como suja esse troço!


Não à toa, um dos meus personagens preferidos em Harry Porter é Alastor, vulgo Olho-Tonto Moody.


7 comentários:

Juliana disse...

Odeiooooo óculos. Devia usar, mas não uso. Espero q a hipermetropia sempre desvie de mim, pq com astigmatismo, eu sei lidar. Hahahahaha

Cláudio Luiz disse...

adoro óculos. embora não goste de usá-los.
Embora ultimamente tenho até gostado. E quanto chegar a hora, de fato, de usá-lo em tempo integral, vai ser legal.
Ah, a foto tá linda.

Renata Lins disse...

Adorei os óculos azuis. Eu sou míope desde os 10 e isso me define em grande medida, embora minha miopia nunca tenha sido alta (parou nos 3). Já usei lente, já usei óculos, hoje em dia é lente na rua, óculos em casa. Já tive muita raiva de precisar de muleta pra ver, já achei legal ver diferente dos outros. A lua de míope: um sol noturno.

Luciana Nepomuceno disse...

Juliana, eu até gosto de óculos, mas detesto ter que ficar limpando.

Cláudio, obrigadinha <3 e você fica uma charme de óculos

Rê, eu sempre gostei de ver do meu jeito. Ou aprendi a. Meu medo é não poder ver. E é imenso.

Rita disse...

Oin, lindinha. Eu uso óculos desde os 10 anos, fazem parte de mim. Mas eu não preciso usar toda hora, sou meio desleixada. A idade vai avançando e vou precisando cada vez mais. Meu filho teve esse lance aí do olho preguiçoso, cê sabe. Hoje vai ao oftalmo, inclusive, refazer consulta porque os óculos estão incomodando, tal e coisa. Enfim, conversa tão familiar, essa. Inté, comadre.

(Outro dia falo contigo sobre o medo que minha mãe tinha de ficar cega. Outro dia. Beijos, flor.)

Sara com Cafe disse...

não uso e não preciso. amém.
homens, homens =( namorei uns ótimo para qualquer mulher, menos pra mim buaaaaaaaaaaa.

Stefani S. disse...

Nunca precisei, mas tenho certeza que um dia vou precisar...

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