sexta-feira, 27 de maio de 2016

Na Rapaziada


Disse a amiga da amiga: “há quem acredite em limão em jejum. Na Santa Rita. Em horóscopo de jornal. Que o salário é justo e que a mais valia não existe”. E meu juízo continuou, sozinho e sem rumo: há quem acredite em essência. Natureza humana. Trevo. Gato Preto dá azar. Borra de Café. Pra mim, quente e forte. Há quem acredite em orixá, santa que faz de paõ, rosa; santo que anda com bicho. Tem gente que acredita que gente é só um tipo de bicho. Que acredita em método científico. Nos autos. Ou na benzedeira dona mariazinha do toim. Em arruda. Em espíritos, ou espírito, às vezes santo. Em assombração que puxa o pé de noite ou bate no punho da rede. A minha, na varanda. Olho grande, olho gordo, pimenteira, espinhela caída, figa, fita vermelha na testa pra evitar mau olhado. E eu, no olho do furacão. Há quem acredite em promessa. Em carta. De tarot ou saudade. Na bíblia. No gráfico. No relatório, encadernado e assinado. E eu, sem lenço e sem documento. Há quem acredite em Verdade. Deus. Deusa. Visage. ET. Velho do saco. Papai Noel. Bicho-papão. Nos astros. Pra mim, anos de ouro de Hollywood. Há quem acredite nos búzios. No busto. Grande e siliconado. Na propaganda: colorida e animada. Nas cores, nas dores. No Karma. Nas armas. Amarras. Amarração. Votos. De casamento ou política. Há quem acredite em sinais. Eu reclamo do trânsito e cantarolo Paulinho da Viola

Há quem acredite em pílula mágica, solução rápida, atalho. Eu fico com o peso extra, o lado da sombra e a sandália gasta. E ainda acredito na rapaziada. 



Porque a gente 

Um comentário:

BethS disse...

a cabeça vai looonge...
e rende um post bem bonitinho...
beijo!

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