quarta-feira, 11 de maio de 2016

Magoar a Ferida

A Mary W escreveu esse post sobre o episódio 15 da 12a temporada de Grey's Anatomy. E, claro, conversadeira como sou, quis logo comentar. E fui escrevendo e escrevendo e se tornou esse palavratório todo. 

O que eu mais gosto quando ela escreve sobre Grey’s é que tem tanto em comum com o que vi e senti e, ao mesmo tempo, o olhar parece vir de um lugar diferente e incidir sobre aspectos diferentes dos que se destacam pra mim. A Mary fala como o episódio é sobre recomeços e fins. E como os fins parecem vir mais fáceis que os recomeços. E como é preciso curativos pras feridas e como é dolorido puxar o esparadrapo. E sim, tudo isso. E como Arizona parece deslocada nesse processo todo. Também. Mas. 

O tanto que eu gostei da Arizona nesse episódio. Mas tanto. A confusão dela. A vulnerabilidade. A ingenuidade. Tentar fazer o certo e enfiar o pé na jaca, quem sempre? Quando ela vai de pessoa em pessoa parece que ela procura confirmação pro que fez. E sim. Mas me parece que tem mais. É meio como o noivo da moça acidentada. Vão sempre culpar por uma coisa (levá-la pra montanha) e ele vai sempre se sentir culpado pela outra (trazê-la de volta). Ela – Arizona – não seria ela se não tentasse corrigir tudo. Ela tem essa bondade desastrada. E, no processo de tentar dar conta dos equívocos que cometeu, a sabedoria resignada da Amelia: vida que segue. Reconhecer o que não depende da gente.  Aceitar que errou. Ponto. Uma coisa sobre mim: se eu tenho um mote, é a oração que pede a sabedoria pra sacar o que é uma coisa, o que é a outra.  O que pode ser mudado. O que não pode. E seguir.

Transversalmente, o tanto que o personagem da Meredith entrou positivamente no meu radar depois daquele jantar em que ela desancou a Penny. Cara. Foi uma revolução na minha forma de lidar com a série. 11 anos achando a protagonista uó não foram moleza. E agora, que maravilha ela depilando a perna. O Karev explicando que ela precisava sentir que podia fugir, que tinha espaço. A conversa no carro. Pequenas frestas.

Aliás, relendo o que escrevi, era esse o mote pra mim. A vulnerabilidade. Não o curativo, mas a pele fina que fecha a ferida. Reconhecer que tem a necessidade de uma delicadeza. Um cuidado a mais. Saber-se vulnerável. Saber-se exposto. Reconhecer o temor. E como os que não estavam preparados para se saber vulneráveis magoam a ferida (como a April e o Hunt). Porque não sabem a pele fininha. 



Talvez Arizona não tenha curativo pra puxar porque deixou a ferida aberta, cicatrizando ao ar livre. E atenciosa, cuidando pra não esbarrar em nada que arrancasse a casquinha. Essa é outra coisa sobre mim: estou atenta, mas às vezes magôo o machucado. 

Lembrei, escrevendo esse post, sobre outra narrativa em um episódio de uma das temporadas iniciais (desculpem a falta de precisão): 

"As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas podem sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece...(...) Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo..."

E entre a ferida e a cicatriz, a pele fininha. E os cuidados que devemos ter. Reconhecer a fragilidade. E apreciar o desenho que a vida vivida imprime no outro e na gente.

E, claro, cicatrizes são riscos. Que podem ser fronteiras. Linhas. Que mantém pessoas fora. Mas isso aí já é frase de um outro episódio. 

PS. Estou aqui pensando no Hunt e na Amelia e no lance dele com a paternidade. Como quando ele fala pra April. Um milagre. Sei lá se não vai dar ruim qualquer hora dessas.

PS2. Richard, eu te amo por explicar para o Avery que a gente age não pelo que o outro nos faz, mas por quem queremos ser.

PS3. Karev, eu te amo por saber reconhecer que viver é difícil. E que é preciso.



Um comentário:

Mary W. disse...

ai, vc postou. só vi graças ao central <3 <3

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