segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estação

Por aqui, corre o vento, mudo a página e sinto a esperança abrindo janelas, batendo tapete e acendendo o fogo.

das coisas que mais gosto em Grey´s: as declarações de amor. 
"Vamos estragar algumas coisas juntos".

Porque eu saberia viver sem você, mas não gostaria.

Andei falando muito e falando muito de mim e agora ando meio embaraçada revendo o que encontro por aí – como aquele lance de que se fotografarem você roubam sua alma, sabe, só que numa versão inversa, cada texto parece cristalizar quem sou e me impede de ser uma outra que eu sei que poderia ou era. 



Esse não é um post de arrependimento. Esse é um post de estilo. Flaubert dizia: Madame Bovary sou eu. Somos o que fazemos e fazemos o que somos, com muito mais complexidade do que essa frase escrita permite entender. Uma coisa que faço é ir embora. Na hora que, se não é a certa, trato de fazer ser no só depois. Os anos de divã não me tiraram isso, os anos de divã não nos tiram o que somos, eles nos responsabilizam pelo que somos. Faço isso: vou embora. Um pouco porque suspeito que ficaria linda de chapéu e valise, pegando um trem em uma estação qualquer, tudo enevoado ou talvez sejam as lágrimas. O que faço é ir embora quando digo o que digo. Sou de âncora, não de raiz, digo e me torno. Afrouxo a corda, desfraldo velas, espero o vento que eu mesma soprei. E depois, em alto e solitário mar, leio cartas antigas, visito álbuns empoeirados e sinto falta do porto.

Ando passeando pelas minhas sombras, tentando lidar com elas, tentando lidar comigo. Pegando aqui e ali, fragmentos, sobre os quais jogo luz, torcendo, silenciosamente, que ainda sejam cristais.

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