terça-feira, 26 de abril de 2016

Tese do Hallison

Você olha pra trás e sorri, uia, andou foi muito. aí olha pra frente e dá uma dor, falta metade e outro tanto, como diria meu avô.

Eu fico lembrando da poesia: “um homem com uma dor é muito mais elegante”. E fico pensando em como andaria esse homem se um dia a dor não doesse. Se saberia. Se saberei. Se ainda saberei. Andar. Viver. Quando não for peso e sim memória.

Dormir ajuda, eu disse pra amiga. Beijar também, ela lembrou. Eu ri, mas dormi chorando.

Tenho chorado muito, aliás. Quase sempre tenho chorado de cansaço. Tem sido estranho. Trabalhar até não conseguir mais. Até doer. Insistir. Permanecer. Sentada. Digitando. Pensando. Tentando pensar. E o cansaço chegando. E o cansaço doendo. Até que eu percebo que não vou conseguir. Não hoje.

E as pessoas perguntam. Claro que perguntam, elas estão interessadas. E cada pergunta aumenta a hemorragia.

“Se ela tivesse a coragem de morrer de amor” canta o Tom. Eu tenho. Não tenho é o jeito.

Vou terminar e defender essa joça só pra colocar o nome da Karla nos agradecimentos – penso isso umas três ou quatro vezes no dia. Ainda não terminei. 

Eu não gosto de ser a pessoa que reclama. Eu não gosto de ser a pessoa que chora. Eu não gosto de ser a pessoa que não consegue. Eu não gosto de estar sendo essa pessoa que também sou.





Eu só espero, Chico, que o Carnaval chegue.

Eu sei, eu vejo a minha vida pelo FB e parece tão mais fácil. Tão mais simples. Ou nem. Não preciso dele, basta fazer uma lista: o amigo que veio do Rio, o fim de semana em João Pessoa, a cerveja gelada na casa do novo amigo, a promessa de Canoa Quebrada, uma cartinha afetuosa que chegou hoje, tanta coisa boa e bonita. Mas fica faltando um pedaço: eu.


Confesso que me passou pela cabeça: jogar os princípios no cantinho junto com a roupa. Agora Inês é morta. 


Eu sei que Filadélfia não é um filme bom. Mas tem três dos meus amores: Denzel, Tom Hanks e Banderas. Aliás, tem quase quatro, o Tom fica a cara do Malkovich quando está na cama do hospital. 

Um comentário:

Renata Lins disse...

Um passo atrás do outro. Tem jeito não, flor. Sei, vc sabe. Mas digo de novo que é um jeito de dizer tô aqui, me aluga quando precisar, larga desse pudor de ser isso aí que você também é. Como se tivesse que manter o padrão-risadas, o padrão-leveza, o padrão-animadora da galera.
Não é essa a hora.
E você fica mais bonita com esse lado aí também.
Beijo grandão.

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