segunda-feira, 11 de abril de 2016

Fica, vai ter bolo

Eu gosto do bom pelo bom. Uma coisa que me incomoda, de verdade, é essa necessidade de viver discursivamente numa relação causa e efeito.

Estudar filosofia para melhorar o desempenho escolar
Malhar para ganhar mais X anos de vida
Ouvir música clássica para aumentar o QI
Subir e descer escada para perder peso
Comer fruta para sei que lá colágeno

Eu gosto de ler filosofia. Gosto do suco da manga na língua e escorrendo pelo queixo. Escuto música e sinto minha pele arrepiada. Não faço exercício mas confio em quem diz que sai da academia se sentindo ótimo. Eu subo e desço escada sem arrependimento para estar em Canoa. Porque é bom, põe riso no corpo. Gosto de gostar sem utilidade. Viver a inutilidade. Saborear a inutilidade. Sem pensar: tomar banho de chuva, beijar na boca, bater o pé no ritmo do samba que toca no rádio, abraçar aquele amigo de muito tempo, gargalhar sem pejo, enfiar o nariz no cangote do bebê-sobrinho. Como ouvi por aí, eu não quero mais tempo na minha vida, quero mais vida no meu tempo.

Convidar para a vida, para a casa, para a cama, para o corpo, sem garantias. Amigos, amantes, amores, pessoas. Elas. Em mim. Eu gosto.


Uma coisa que eu pelejo pra disseminar: sexo nunca é um “só”.



Tem gente querida que sai da nossa vida. E não lembro de situação nenhuma em que senti como um já vai tarde. Pode ser o tempo certo das pessoas, mas pra mim é sempre um "ainda é cedo". Fica, vai ter bolo. Cafuné. Miolo de pote. Fica diferente, se a gente já não sente como sentia. Fica em outro ritmo. Outro modo. Fica mais longe um pouco, pra respirar. Fica mais perto, pra chamegar.  Se você não fica, fica tudo que poderia ter sido. E dói feito unha que encrava. Não sempre, mas quando...

Eu só queria dizer que eu ganho os melhores presentes. Sério mesmo.

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