sexta-feira, 15 de abril de 2016

É devagar, é devagar, é devagar, devagarinho... (ou é divagar)

Entende-se que os sentidos conferidos ao trabalho por parte dos trabalhadores brasileiros entrevistados é um amálgama de variados aspectos que se entrelaçam e mutuamente se determinam. Os sentidos do trabalho compreendem aspectos particulares de como cada trabalhador se relaciona e narra sua trajetória profissional, sua relação com os demais trabalhadores e com a organização, mas não só, eles são qualificados pela dinâmica sócio-histórica, pela geografia e economia do território onde o trabalho é realizado. 

A figura abaixo sintetiza a análise até agora empreendida, apresentando, no centro da figura, as categorias emergentes que recebem elementos das dimensões individual (prestígio X irrelevância), organizacional (hierarquia e intrumentalização) e social (o silêncio que prepondera nas narrativas sobre esse aspecto). Qualificando esses sentidos, encontra-se a dinâmica organizacional e como os trabalhadores a narram - como arena, em metáfora ora esportiva, ora bélica; e, de forma mediata, o próprio contexto contemporâneo do capitalismo flexível.

Neste cenário, ao trabalho é atribuído uma centralidade na vida dos sujeitos, acentuada pelos aspectos relacionados à sobrevivência e alcance dos objetivos de consumo. Esse trabalho, que viabiliza a vida, é descrito como exaustivo e estressante e se desenvolve em um ambiente imediato com características de competitividade, hierarquia rígida e disciplina, agravado pela sensação de instabildiade, risco e insegurança dos vínculos com a organização, potencializando a presença de relações instrumentalizadas e da sensação de irrelevância no interior da organização. Porém, essa mesma organização que parece localizar o trabalhador apenas como um elemento da hierarquia e meio para o alcance dos objetivos organizacionais, confere status e admiração social, um sentido reiteradamente evidenciado pelos entrevistados. Destaca-se a relevância conferida aos vínculos interpessoais entre os trabalhadores; a sua instrumentalização, própria de uma racionalidade preponderante nas organizações capitalistas de produção, não restringe esses relacionamentos à sua utilidade para o aumento do desempenho. Os vínculos parecem se reconstituir com plasticidade oferecendo uma matiz de identificação e cooperação que também qualifica os sentidos que os sujeitos constroem para seu trabalho. 



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