quinta-feira, 10 de março de 2016

Vem chegando: 41

Vou fazer 41 anos. Não me sinto adulta. Também não me sinto menina, velha, mocinha, coroa, jovem, adolescente. Me sinto eu. Muito específica. Uma eu que por mais que eu me diga, escreva, descreva, fotografe, apareça e revele, ainda é tão particular e intransmissível. Os amores, os medos, os sabores que só eu sei. Ou nem eu. Há tanto que quase sei, mas escapole. Há um em mim que não alcanço e que, vez ou outra, me atravessa. 41 anos e me sinto apenas eu mesma.

E, ao mesmo tempo em que escrevo, sei que não é de todo verdade. Senti-me velha aos dezesseis quando pensava e desejava coisas tão diferentes dos demais dezesseis ao meu redor. Jovem quando fiz burrada aos 35 e teimei como adolescente enfezado. Criança ainda ontem, conversando com meu sobrinho. Sinto-me adulta quando tenho medo mas tomo decisões mesmo assim. Fui e sou na época, no dia, no lugar que dá. Murmuro, baixinho, a canção da Joyce, essa menina, essa mulher, essa senhora.



Vou fazer 41 um bocado mais triste do que costumo me sentir. Não uma tristeza que alguém possa confortar. Para essas, sinto todo o amor e apoio que é preciso, vocês não precisam se preocupar, o bem querer de vocês é presença. É um desconforto de ser quem estou sendo. Sei bem que daqui a um ano ou dois, também gostarei dessa eu. Mas, hoje, ela me incomoda um pouco, na sua insegurança, na sua procrastinação, na sua preguiça, na sua inexatidão, na sua carência.

Vou fazer 41 um pouco menos satisfeita do que sempre. Mas isso até é bom. Porque eu já descobri que viver é divertido e quero mais. Um dia desses vi um lance meio triste circulando pelo FB. Algo como “ainda bem que tenho mais de 30 anos e todas as loucuras da minha vida fiz antes de existir a internet”. Não sei bem o que as pessoas estão chamando loucura, mas eu ainda beijo no meio da rua (se tiver com quem), ainda bebo até de manhã, ainda saio vestida de bolinha e chapéu de palha, ainda danço sem música se tiver vontade. Eu, ainda. Eu, muito. Eu, tanto.

Tenho mais de 30. Tenho mais de 40. Tenho mais do que já tive, menos do que ainda terei. Eu envelheço. E envelheço com curiosidade e amor por este processo. Envelheço sem planos (mentira, queria defender a tese, mas acho que é o único) além de continuar me sentindo eu mesma, menina, moleca, bacorinha, adulta, velhinha. E, se possível, que a eu que sou e vou ser tenha cada vez mais vocês em mim.

3 comentários:

Juju M. disse...

Marciana e pisciana!! É nós! Sempre às voltas com 5 mil alegrias e outras mil tristezas.

Rita disse...

Você é linda e minha sorte, tanta. Porque você é minha amiga, um amor, uma luz. Já festejando: feliz aniversário!!

Rita disse...

Você é linda e minha sorte, tanta. Porque você é minha amiga, um amor, uma luz. Já festejando: feliz aniversário!!

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