sábado, 19 de março de 2016

Rapaziada

Uma amiga disse ontem que do lado de quem a gente marcha também diz do porquê a gente marcha. E eu concordei e na hora estava pensando nos grandes nomes e como faz tempo que eles dizem bem pouco de mim.

Mas quem marcha não vem só em letra maiúscula. Também são silvias, fernandos, bárbaras, ivans, amigos. Gente que rala. Gente que ri. Gente que ama. Ama a luta. Ama gente. Ama o sonho. Ama, especialmente, o processo. Entende que o operário faz a coisa e a coisa faz o operário. Mas não um amor de lua e flor. Amor de suor, de contato, de cheiro, de carne.

Está tudo confuso demais pra gente cravar onde isso vai dar. Mas dá pra saber onde deu (ui). Em riso, ontem. Em abraço. Em canto. Em força. Os relatos que me chegaram foram de alento. De esperança. De nutrição. 

Luciana, riso e abraço não muda essa estrutura opressora, o massacre indígena, o genocídio negro, o desrespeito às minorias pra não falar da tão mencionada corrupção endêmica. Não mesmo. Mas é gostoso pra caramba. E se você não conhece o potencial subversivo do prazer, vem cá meu nego, xeu te mostrar uma coisa. Ou duas.

Não tem dois lados que se equivalem. Não pode equivaler um discurso "pega, mata, esfola" com o status de renatas e fernandos sobre desmilitarização da polícia, por exemplo. Não é igual nem em conteúdo, nem em forma e muito menos em implicação. Não pode equivaler socos, ameaças e gente se pegando no mtrô (se pegando aka se beijando de língua e mão na bunda). Não estou falando do microfone e palanque, estou falando da conversa na esquina, cerveja na mão, enquanto a manifestação se forma.

A lógica de torcida de time de futebol não deveria valer nem pra o estádio, quanto mais pra vida. Não tem marcha certa. Não tem, principalmente, marcha única. Quem foi, quem não foi, quem quase foi, quem vai em outra mais crítica. Não importa. O que (a mim) importa é o como.

Eu, como o Gonzaguinha, acredito é na rapaziada. Que segue em frente e segura o rojão. Não de qualquer jeito. Na putaria. Com palavrão e tudo.



3 comentários:

Pedra do Sertão disse...

super seu texto!
articulado
atual
na justa causa

abraços do Pedra

www.pedradosertao.blogspot.com.br

Renata Lins disse...

já tava chorando antes. continuei.

Cláudio Luiz disse...

inclusive pq estas coisas dá força para continuar segurando o rojão

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