sexta-feira, 18 de março de 2016

Quem Puder

Sabe, o clima por aqui não está bom. Não, não me refiro ao céu tão azul ou à lua que chega pontualmente e pisca, marota, pra minha varanda. Não estou falando do vento de chuva, nem do mormaço depois da mesma. Não estou falando dos 30 e tantos graus. Não estou falando do sol a pino. Nem das noites abafadas. Estou falando é da intolerância nas esquinas. Da mídia insuflando medos e ódios. Das pessoas agindo sem usar razão, reflexão, ponderação. Estou falando é das nossas instituições, ainda tão jovens e frágeis, sendo minadas pela falta de discernimento e por interesses abjetos. Do judiciário em polvorosa, do Executivo acuado, do Legislativo ignóbil. Nossa Constituição, coitada, reiteradamente desrespeitada.

E eu me sinto frágil, como em meio a uma tempestade. Vulnerável. Como diz a música cantada pela Elba Ramalho, querendo um sorriso sincero, um abraço, pra aliviar meu cansaço… Tenho chorado, sabe? Aquelas lágrimas que vem sem destinatário e sem origem certa, como se abrissem comportas e liberassem conrredeiras. Tenho sentido esse medo frio que não tem nome, medo da sombra que desconheço. Tenho sentido esse desamparo. Vou me confortar nas linhas amigas. Eu sei, eu sei, aquilo tudo das redes sociais. Mas tem você. Alguém. Alguma esperança. Um morninho daquela fresta de sol, precoce, um minutinho antes do dia chegar inteiro. Uma amiga que chama na caixinha e garante que o oceano não será definitivo entre nós. Uma foto fofinha do sobrinho. Um amigo que vem descobrir minha casa. Em diminutivos. Faço um mosaico das tristezas todas e jogo glitter. Vou me despedindo. De mim. De nós. Vou me abrindo pro que será. Responda quem puder.



Do que mais gosto é do que não serve pra nada. A gente diz, com riso no olho: “não vale uma cibalena vencida”. Gosto do que existe sem propósito. Ou ainda, do que vivemos sem propósito além do próprio desfrute do que é. Não é para. Para emagrecer, para aprender, para ficar saudável, para empoderar, para seduzir, para ficar em forma, para conquistar, para manter, para acabar, para ter sucesso, para vencer. Vive-se e é o que é. Ou ainda, é o que está.


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