quarta-feira, 9 de março de 2016

Nem Sempre

Se soubesse como, pediria cep, selaria envelope, escreveria cartas… minhas palavras, assim como meu corpo, gostariam de estar em tuas mãos.

Aquele momento em que você vai fazendo, vai fazendo aí descobre algo que não só você não sabe fazer como você não quer aprender a fazer.

Tento me lembrar, todos os dias, de que devo me sentir feliz e satisfeita com o que já tivemos. Mas é justamente a lembrança da felicidade que foi que me torna insatisfeita com o que não é.

Para confirmar empiricamente o lance da rosa do Pequeno Príncipe é só ir buscar uma criança na hora da saída de uma grande escola.

Sim, quanto mais velha fico, quanto mais vivo, mais o Pequeno Príncipe faz sentido.

Há milhares de rosas iguais. Não temos que ser especiais para sermos amados. Somos especiais. Somos amados. Somos especiais para alguém quando somos amados por ela.

Hoje morreu Naná Vasconcelos. Tá difícil ser eu perdendo tantas referências.

O que mais dói é o por enquanto. Pra melhorar, leio Sylvia Plath. Spoiler: não melhora.



Estou cansada de reclamar. Tenho certeza que nós todos preferíamos o tempo em que eu era só riso, caranguejos, esquinas a percorrer e sussurro do mar roçando a areia.

Meu celular morreu. A bateria do notebook está funcionando por aparelhos. Preciso arrumar o quintal. Tem um vazamento no segundo andar da casa que molha a sala embaixo e queima lâmpadas. O chuveiro elétrico está dando choque e o eletricista não vem – o que não deixa de ser uma bênção porque não poderia mesmo pagar. É o mês do meu aniversário e isso significa gasto extra de deslocamento e cerveja (mesmo que bem vindos). Estou cansada de reclamar mas estou mais cansada de ter do que reclamar.

Eu sinto falta de tudo. Queria um peito pra aninhar sua fala e que, no lugar do coração, sua voz bombeasse esperança em mim. Mas sorrio, meio doce, meio triste, desejo os melhores sonhos pra você e durmo um sono escuro e vazio. 

A gente (a gente sou eu) pensa que quando o outro vai saindo da gente (oi, Ivan Lins, seu lindo) a gente (ou seja, eu) vai ficando mais “a gente mesma” outra vez. É um choque perceber que não é bem assim que a banda toca. O tempo que o outro esteve em mim foi de fusão e confusão. Amálgama. Mistura. Quando o outro vai indo e indo, o que ele leva não é só ele, mas o ele que esteve em mim e uma parte de mim que o recebeu. E ele vai, mas fica. Fica no que fico sendo. No que senti, vi, gostei, chorei, amei. O que fiz, sou. Ainda que não apenas. 

Luciana, acho que já li isso. Sim. Eu posto de novo coisas que intuí antes de viver.

Pensei em fazer outro blog, chamado O Diário de Uma Saudade. Decidi fazer um ensaio no word. Desisti depois de cinco dias escrevendo: sinto sua falta, sinto sua falta, sinto sua falta, sinto sua falta, sinto sua falta, sinto sua falta. E apesar de ser tão verdade, não saber direito o que isso quer dizer #ZecaBaleiroFeelings

Um comentário:

Juju M. disse...

Tão linda você! Boa sorte com a saudades, que ela seja eficiente e se esgote com a mínima dor possível.

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