quarta-feira, 23 de março de 2016

Brisa

Por aí é vendaval. Aqui, brisa. Eu esqueço como é bom uma voltinha a pé, fim de tarde. O céu de um azul sorriso. Uma nuvem aqui, outra ali, brincando de ser bolinha de algodão. Doce. Algum verde encomendado. Um e outro, que já era. Nem sou tão natureza, mas sorrio para elas que acenam de volta enquanto o vento faz cócegas entre os galhos.
Ando em silêncio. Mentira. Pra não deixar as inquietas palavras acamparem no peito e juízo, cantarolo errado músicas que sei desde sempre. Quando ainda se chamava radiola e a estante da sala tinha tantos vinis que envergava. Tanta coisa que você não sabe. Nunca vai saber esse momento em que pisco pro sol que vai iluminar outros dias, para outras pessoas. Tanta coisa que você não quis saber. Ou que eu não quis contar. Não tenho certezas, muito menos essa. Nós. Desatando. 
Já vi série, já li Agatha, já ouvi jazz. Acabaram meus sedativos. Mas eu respiro fundo e dessa vez quase acerto: Vamos viver de brisa. Vou. Vôo.
PS. ainda tem chapeuzinho no voo ou agora é sem teto?

Um comentário:

Allan Robert P. J. disse...

“Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vogal tónica/tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, substantivo e flexão de voar, etc.”

Mas nem isso impede de voar.
:)

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