quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Rente ao Chão e um restinho de Oscar.

Passou por mim esse texto que fala sobre a vaidade acadêmica e tal e coisa. Ele tem uma porção de buracos, não apresenta o problema de forma complexa, com mais contradições, insinua a “solução” em uma postura individual, etc. Mas. Sei lá, ando com a pele bem fina, me tocou. Eu era “o foda”. Uma produção regular de mais ou menos 2004 a 2012. Revistas, congressos, capítulos de livros. Não “o foda” de fora pra dentro (nunca fui de prestar atenção nessas insígnias socialmente assinaladas), nunca foi pelo destaque e competitividade (só vejo meu umbigo mesmo), mas de entro pra fora. Eu me sentia capaz. Eu me sentia competente. Uma boa pesquisadora, uma boa escritora, uma boa cientista social. Não excelente, não um pilar da ciência, mas alguém que contribui. Eu sabia, eu podia. Hoje em dia, rastejo. Me lasco. Três anos perto de zero. Nada a declarar. Nada do que tenho estudado se transformou em algo que eu possa socializar academicamente. A sorte é que minha autoestima é parecida com a taxa de plaquetas do meu filho que mesmo ele com dengue hemorrágica mantinha-se acima da média necessária/indicada. Mas mesmo assim acho que eu já devia estar no soro.

 


Cristina Yang dá excelentes conselhos. 

Das coisas completamente sem sentido que a gente pensa e não tem mais jeito de ignorar o quanto somos bobinhas: nunca poderia ficar abalada em um livro da Agatha Christie, eu não gosto de chá... (mas só pra não perder o personagem, quem sabe um scoth para recuperar as cores da face).


"a terra gentil das solidões compartilhadas" - como eu queria ter escrito isso. (faz parte desse ótimo texto do Simas).


O Quarto de Jack - meu filme preferido dessa remessa do Oscar. Tem tudo, mas tem princiaplemente uma direção brilhante, ousada, terna, com escolhas inusitadas, com metáforas visuais, com excelente direção de atores, onde cada elemento parece fazer parte da narrativa (como bem lembrou a Verônica, até a casa da avó, com suas escadas tão eloquentes). 


Eu gasto umas boas horas na semana fazendo lista de coisas vitais que preciso comprar, sei lá, uma colher de pau, um trocinho pra pendurar as colheres grandes, um escorredor de macarrão. Sem ter nem um tostão pra isso, claro.


E viagens. Pra pertinho, no meu aniversário, pra longe, no dia que der. Tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou. 


Quando chega a noite estou tão cansada, sem energia e desligada que não consigo nem mesmo ler um livro novo - e olhe que ler é das coisas que mais amo na vida. Ligo a tv em algum canal que passa um nada agradável e me escondo em algum livro com o qual já estive tantas vezes que nem se trata de ler, mas de recordar.

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