sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Quarenta e Um

41 anos, já já. Quatro décadas e mais um ano de uma boa vida. Sei que a vida foi boa porque me trouxe até aqui assim: contente. Mas lembrar, lembrar mesmo… Opa. Lembro das coisas que estavam em fotografias e das narrativas pitorescas tão repetidas por mim que qualquer pessoa amiga a mais de três dias é capaz de contá-las em meu lugar. Ou seja, da minha vida, só sei a ficção.

Envelhecer é sentir dores onde nunca antes, dizem. Por exemplo, no peito.

Eu tenho notado que tenho muito menos a dizer e muito mais vontade de fazê-lo o que me leva a encher as páginas com letrinhas inúteis mas bem organizadinhas. A alguém há de dar prazer. Provavelmente a mim mesma.

Status: toda uma vida cantada antes mesmo de ser.


Uma coisa que eu não gosto muito: ir dar aula. Uma coisa que eu gosto demais: dar aula. Sei que “dar aula” é antigo. Quase se sente o mesmo odor de naftalina de quando uma criança se refere à professora como “tia”. Mas eu gosto, me lembra dádiva, me faz pensar que para além da construção do conhecimento na interação daquelemomento, há uma entrega da minha parte. Mas, enfim, não era disso que queria falar, mas de como gosto demais de estar na aula, da troca com os alunos, das perguntas, da construção da narrativa para apresentar conceitos, idéias, na busca de exemplos, o lance todo. Gosto da aula de rodinha, da conversa, de ver um aluno acenando com a cabeça sem nem notar; gosto de quando um exemplo surge e um olho brilha, compreendendo enfim; gosto quando emerge um “mas, professora…”. Gosto quando há atividade em sala, em dupla ou pequenos grupos, as cabeças curvadas sobre os textos, a conversa sussurrada, os gestos contidos, alguém se levanta e vem até mim tirar uma dúvida. Gosto dos grandes debates, das pessoas copiando, de alguns distraídos, gosto das pessoas, dos alunos, do processo. Gosto. Mas chegar lá, que difícil que é. 

Um comentário:

Renata Lins disse...

Beijo, flor. A felicidade é a prova dos nove, como já dizia alguém. Uma felicidade tipo felizinha, não uma felicidadona q é aquela q a gente não sabe muito dela e só pelas beiradas.

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