sábado, 27 de fevereiro de 2016

Ponte dos Espiões - Mais Oscar, porque não?

Eu nem tinha falado da Ponte dos Espiões, né? Como o Spilberg sabe contar uma história. Que ritmo. O recurso que ele utilizou de ir inserindo personagens e tramas gradativamente é muito cativante. A gente vai se apegando e se importando com pessoas diferentes, em momentos diferentes e, quando percebe, tá no meio de uma teia de aranha. E, claro, a coisa meio Capra. Os valores tão retos. O certo, que parece tão nítido. Como é bom fazer de conta que sim. O filme é bem melacólico e isso foi, pra mim, um mérito. Claro que não é pra levar a sério. Ou, pelo menos, eu não levo. Não totalmente. Mas gosto que me toque. E, gente, que gostoso ver um filme onde capricharam nos diálogos. Só não entendo porque Spilberg nunca aprende a hora certa de acabar.



Gosto demais quando o personagem diz: toda pessoa é importante. Se não acreditar nisso, não acredito em mais nada.

Tem o Tom Hanks. Que, cada dia mais, parece, pra mim, com James Stewart, um dos meus atores preferidos. Não fisicamente, claro. É na forma de interpretar, quase simples, quase não. Um jeito de acolher o personagem. Comum. Com um resquício de humor na fala, mesmo no momento de tensão e/ou drama. Gosto do jeito como os personagens ficam parecidos com ele e nunca um com o outro. E era assim que o James Stewart me fazia sentir. Entendo quem não vê assim. E, não vendo assim, não veja nada nele.

Estou torcendo pelo Mark Rylance como ator coadjuvante. A forma como ele pergunta: adiantaria? meio resume minha vida.

Diálogos inteligentes. Diálogos divertidos. Diálogos reveladores. Diálogos sutis. Diálogos e mais diálogos. Bons diálogos. Eu poderia ficar mais feliz?

Eu terminaria na hora em que a ponte fica escura.

Engraçado como os olhares podem ser diferentes. Acabei de ler uma crítica que dizia que a demora em apresentar o personagem Pryor, na Ponte dos Espiões faça com que a persistência do personagem de Hanks em soltá-lo fique incongruente/inconsistente. Pra mim é justamente o contrário. Primeiro que adorei a entrada devagar em cena, dando tempo da gente se envolver com os vários personagens. E gostei ainda mais de Pryor ser tão pouco visto e explicado. Porque o personagem de Hanks diz: toda pessoa é importante. Implicado nisso está: qualquer pessoa é importante. Não importa quem Pryor é, importa que ele seja e esteja naquela determinada situação.

É um bom filme. Tem mais do que a média: uma direção inteligente, uma fotografia perturbadora, atores impecáveis. E é um filme de entretenimento. Não sei bem quando começamos a ter vergonha disso.

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