segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Pick Me, Choose Me, Love Me

Um respiro: casa, cerveja com a mãe, torresmo do pai, risada com uma e outra amiga querida, batizado de sobrinha e afilhada, família, ah, família.

Estou sem tempo pra nada. E sem vontade pra muita coisa. Ainda assim, outro tumblr: em fogo alto.

Nesses últimos dias, durante todo o dia: só queria uma conexão melhor. Estou falando da internet, mas serve pra um montão de coisas na minha vida.

As coisas que a gente pode. Mas não quer.

Queria fazer coisas que nunca fiz. Comecei com o torresmo. Foi uma excelente decisão.

Eu sinto falta de fazer as compras do dia, por dia, em um mercado na esquina.

Descobri que gosto de ervilhas. Das congeladas. #PessoaEstranha




Grey’s é das melhores coisas que já vivi (nem digo vi, porque mexe comigo de uma forma ativa). Quando começou – e por muitos anos – a personagem que dá nome ao programa não me entusiasmava. O resto dos personagens é que construíram a teia e me aninharam nela. E agora vem a Shonda e faz da Meredith uma aranha enorme que vai direto comer meu coração. Durante 12 anos uma narrativa se estruturou, para além da história evidente. Ser humano é ser um só (no sentido da unicidade mas também da solidão que nos estrutura). E a série nos leva na espiral da solidão de Meredith. Sua pessoa âncora: Cristina. Seu amor porto: Dereck. Um a um. E como a estação cantada por Milton: chegadas e partidas. Uma vez e outra, passar pela decisão: seguir vivendo apesar de. Apesar da água gelada que amortece a dor de viver. Apesar de ter o risco de ver explodir o coração como uma bomba. Apesar do inesperado da vida, acidente que leva onde não se pode cuidar de tudo e de todos. Com uma beleza que me encanta, episódio após episódio, a contradição: é nas perdas e nos vazios que as presenças e os laços se originam, se evidenciam, se consolidam. Perda após perda, sem porto e sem âncora, ela navega com bóias, faróis e sinaleiros. Acho que a Cristina não volta. Ou ainda, acho que ela não precisa voltar (pela Meredith). Achei o último episódio lindo. Isso da Meredith ir desobrindo que poder ficar só não implica em querer ficar só, sempre. Nem, principalmente, ter que ficar só. Acho que é uma forma muito delicada de trabalhar o amadurecimento. Crescer não é não precisar de mais ninguém. É, também, acho, saber dar e receber esse cuidado. E como tudo faz rima, né. No episódio passado o Richard falou de perdão e aí está o Owen tendo que lidar com isso também. E a relação do Alex, ele que perdou o pai que não deu o que ele precisava e agora meio perdoando a mãe por fazer tanto pra dar o que ele precisava e mesmo assim não podendo dar. Porque ninguém nunca pode, acho.

Um comentário:

Debby disse...

Menina.. que texto maravilhoso... amo Grey's Anatomy.
Perfeito.
Amei
Debby :)

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