domingo, 14 de fevereiro de 2016

Oscar 2016 - Antes

Está chegando o Oscar e o-cinema-não-é-isso-que-Hollywood-vende e tal e coisa, mas eu estou aí, na fila da frente vendo tudo que posso. Sou dessas, deslumbrada mesmo. Nem digo mais #mejulguem porque não estou dando atenção pras opiniões alheias mesmo. O cinema e mais precisamente o cinema hollywoodiano é parte importante de quem sou. 

Tenho amigos comentando os filmes e sempre dá vontade de dar pitaco nos status alheios, mas ando tão na contramão que acho que não vale a pena dar uma de Dom Quixote inoportuno. Trago tudo pro Borboletas e mantenho as amizades.

É que minha relação com cinema é muito particular, convencional e, provavelmente, meio ultrapassada. Meus filmes são: roteiro, luz, ilusão. Sou simples, bons diálogos, atores envolventes e uma fotografia que nos faça mergulhar na narrativa. Dos filmes que vi, os que mais se parecem com meu modelinho são Spotlight, Trumbo e, com uma certa distância, A Grande Aposta.

Trumbo conta com uma grande atuação de Bryan Cranston. A direção não é tão consistente, meio apagada, mas a história é tão boa que a gente nem se ressente tanto das opções óbvias da direção. E é uma delícia, pra mim, ver e ouvir mencionados pessoas, talentos, que me fizeram quem sou. Filmes sobre cinema geralmente atingem meu coração.

Outra seara que gosto (mas com menos certeza de acerto) é o mundo da investigação jornalística. Igualmente linear, com um roteiro previsível mas envolvente, Spotlight é daqueles filmes que tenho prazer de ter visto e não tenho preguiça de rever. Um filme sóbrio, meio deslocado no tempo, com uma edição competente, diálogos que poderiam ser melhores mas um conjunto agradável. Nenhum dos atores que lá está é dos que considero imensos, mas isso até orna com o tom da narrativa. Somos médios, falíveis, até incompententes, mas capazes de fazr alguma coisa grandiosa. Foi isso que o filme me disse. E disse-o bem.

Agradável seria, aliás, o adjetivo que usaria para Perdido em Marte. O filme é daqueles que não me comove, não me encanta, não me cativa, mas tem o sempre querido Matt Damon, aquela sensação de “será que vai dar”, a galera na Terra torcendo e todas aqueles efeitos que deveriam impressionar. São duas horas que se não arrebatam não deixam a sensação de tempo perdido.

Quem me disse muito foi Leonardo. Apesar do filme ser ruim demais da conta. Mas ruim mesmo, daqueles ruim de marré descer. Mas uma coisa que sempre me impressionou no cinema é como um ator ou atriz conseguem fazer um trabalho maravilhoso em um filme do qual não se salva mais nada. Leo está incrível, ensudercedor, embriagante. Leonardo é imenso. Ele é como Tom Hanks ou James Stewart, capaz de se sair bem em qualquer papel (com a diferença que os outros dois são os bons moços do cinema, aqueles que parecem sempre estar em um filme do Capra). 

A maior parte das pessoas que tenho lido preferem o trabalho de Eddie Redmayne em A Garota Dinamarquesa. E eu entendo. É um trabalho de um rigor técnico, de uma competência na composição que se destaca. E é exatamente isso que faz com que eu ache que o prêmio não deveria ser dele. Eu passei o filme todo pensando: que composição fantástica. E, né, não é isso que eu gostaria de estar fazendo enquanto vejo um filme. Não gostaria de estar pensando na técnica usada pra interpretar. Eu gosto de acompanhar o personagem (que é o que aatriz que fez a esposa, Gerda, me permite e convida). O filme é bem contado, o roteiro é meio óbvio, com diálogos fracos, os coadjuvantes são insípidos, mas ela, Gerda, que papel maravilhoso. E que amor. Que amor. Que relacionamento incrível. Que entrega, que força, que vulnerabilidade. É arrebatador como ela, Gerda, se torna co-autora de Lily. Como ela é amante, irmã, criadora, rival. Tudo. Eu escuto Freud sussurrando na relação das duas: o que é uma mulher?


Daí vem Carol. E no primeiro momento eu só vejo CateBlanchett então a sensação é de que o filme vai ser incrível. Não é. É morno. Ficou faltando. O quê? Quase tudo, mas especialmente uma direção transgressora como a história que deveriam contar. Mas, Luciana, um monte de direção quadradinha e você achou ok, só com essa você resolveu implicar? Pois foi. Porque contar a narrativa de um roteirista resistindo à indústria é uma coisa, contar o tesão repudiado socialmente é outra.

E é isso. A gente nunca vê os mesmos filmes, não é. Porque o filme que vemos, vemos com nossa história, nossos prazeres e desprazeres anteriores, com nossas convicções sobre cinema, vemos com nossas preferências, receios, amores, expectativas. Os filmes que mais gosto são os que ecoam em mim depois que acabam. Fazem eco com amores passados, fazem escavações para vivências futuras. Luz, disse Fellini. Horizonte, disse Ford. E boas palavras, espero eu. 


Um comentário:

Juliana disse...

Um montão de posts! Oba!

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